Agência de refugiados da ONU apoia conscientização contra o casamento infantil

A tradição afeta cerca de 15 milhões de meninas todos os anos. O casamento é visto como forma de proteger as crianças ou de aliviar as dificuldades econômicas.

Uma refugiada síria de 14 anos de idade no Líbano segura a fotografia de seu noivo, escolhido por seus pais. Foto: ACNUR/L. Addario.

Uma refugiada síria de 14 anos de idade no Líbano segura a fotografia de seu noivo, escolhido por seus pais. Foto: ACNUR/L. Addario.

O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), António Guterres, condenou o casamento infantil na última terça-feira (25), afirmando que a agência deve contribuir intensamente para o fim da prática que afeta cerca de 15 milhões de meninas a cada ano.

“Dado que o casamento infantil é uma prática profundamente arraigada, o ACNUR deve continuar a trabalhar em estreita colaboração com as comunidades, os líderes comunitários e os profissionais da saúde e da educação para espalhar a consciência sobre os seus riscos e sobre os benefícios de manter as crianças na escola e de adiar o casamento até a idade adulta”, disse Guterres.

O casamento infantil ocorre em muitos países onde o ACNUR atua, particularmente na Ásia, na África e no Oriente Médio. A tradição é frequentemente perpetuada nos locais que servem de destino para refugiados que já praticavam o casamento de crianças antes de deixarem seus lares. Em outros casos, o casamento é visto como uma forma de proteger as crianças ou de aliviar as dificuldades econômicas.

Essa iniciativa é parte da ampla gama de atividades dos escritórios do ACNUR em todo o mundo para marcar os 16 Dias de Ativismo e o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, celebrado na última terça-feira (25). A mensagem final é que as crianças não querem casar, e sim abraçar suas infâncias e continuar na escola, temendo serem expostas a abusos.