Agência da ONU prevê mais deslocamentos com intensificação do conflito no Iêmen

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Desde o início do ano, as hostilidades em Taiz, no Iêmen, já forçaram o deslocamento de quase 50 mil pessoas. Além dessas, 3 milhões já se deslocaram desde o início do conflito em 2015, das quais 2 milhões continuam deslocadas, e 1 milhão retornaram provisoriamente para casas em condições precárias.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) teme que recentes ofensivas militares nas regiões de Taiz e Al Hudaydah possam causar o deslocamento de mais de meio milhão de pessoas, tornando ainda mais grave a crise humanitária no país.

Hadiya, deslocada interna iemenita. Foto: ACNUR/Shabia Mantoo

Hadiya, deslocada interna iemenita. Foto: ACNUR/Shabia Mantoo

Desde que os bombardeios a forçaram a deixar sua casa no ano passado, a iemenita Hadiya está acampada em um prédio inacabado na cidade portuária, com seus filhos e netos.

“Nossa vida está em pedaços”, disse, sobre a situação desesperadora que se encontram desde que foram forçados fugir de Taiz, na região do Mar Vermelho. “Só queremos viver em segurança e com dignidade. Não queremos nada mais”.

Essa esperança parece uma realidade remota. Conforme o conflito na costa oeste do Iêmen se intensifica, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está se preparando para o deslocamento de mais de 500 mil pessoas como Hadiya e sua família.

Desde o início do ano, as hostilidades em Taiz já forçaram o deslocamento de quase 50 mil pessoas. Além dessas, 3 milhões já se deslocaram desde o início do conflito no Iêmen em 2015, das quais 2 milhões continuam deslocadas, e 1 milhão retornaram provisoriamente para suas casas que estão em condições precárias.

Entretanto, o ACNUR e outras agências humanitárias temem que as recentes ofensivas militares nas regiões de Taiz e Al Hudaydah possam, potencialmente, causar o deslocamento de mais de meio milhão de pessoas, tornando ainda mais grave a crise humanitária no Iêmen.

“O Iêmen caiu em ciclo sem fim de caos e sofrimento”, disse Ayman Gharaibeh, representante do ACNUR no Iêmen. “Recebemos menos de um quarto do financiamento necessário para a resposta humanitária, e por isso estamos sendo forçados a fazer difíceis escolhas, tendo que dar prioridade à assistência emergencial e aos programas”.

Na quarta-feira (25), uma conferência para angariar fundos para o Iêmen, realizada em Genebra, na Suíça, recebeu o compromisso de financiamento de 1,1 bilhão de dólares para a ajuda humanitária no país.

Em fevereiro deste ano, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e parceiros lançaram um apelo de 2,1 bilhões de dólares para o plano de resposta humanitária de 2017. No entanto, a ONU só recebeu 15% desse total, representando um déficit de 1,8 bilhão de dólares.

O ACNUR alerta que a intensificação do conflito em Al Hudaydah provocará um deslocamento em larga escala, que aumentará as necessidades e vulnerabilidades em uma área que acolhe um considerável número de pessoas deslocadas sofrendo níveis críticos de insegurança alimentar.

Com a possibilidade do aumento das hostilidades em Hudaydah, o ACNUR está se preparando para o deslocamento de cerca de 100 mil a 500 mil pessoas. As estimativas foram feitas por grupos técnicos de trabalho, a Task Force on Population Movement, que é coliderada pelo ACNUR em parceria com a Organização Internacional de Migração (OIM) no Iêmen.

Para se preparar para o deslocamento, o ACNUR está organizando suplementos para atender as pessoas afetadas. No momento do deslocamento, o ACNUR ajudará a estabelecer, junto a parceiros, centros de serviços multissetoriais ao longo das principais rotas.

Os centros oferecerão suporte às pessoas que fugiram de atos de violência. O ACNUR fornecerá itens de alívio imediato, serviços de proteção essenciais, abrigo emergencial e assistência doméstica nos locais de destino final das pessoas deslocadas, por meio de informativos sobre abrigo, vouchers, assistência financeira ou subsídio de dinheiro para pagamento de aluguel, conforme as necessidades.

Toda a ajuda é vital para famílias deslocadas como a de Hadiya, que não conseguiu trazer nenhum pertence no momento da fuga, e não tem perspectivas de voltar para casa enquanto os conflitos continuarem.


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