Agência da ONU presta auxílio a refugiados centro-africanos em Camarões

A maior parte das pessoas que chegam à cidade fronteiriça de Gbiti está exausta e em condições físicas precárias depois de fugirem dos ataques brutais à suas casas.

Ibrahim com sua mãe Djouma em Gbiti, Camarões. A cicatriz causada pela machete é visível. Foto: ACNUR/F. Noy.

Ibrahim com sua mãe Djouma em Gbiti, Camarões. A cicatriz causada pela machete é visível. Foto: ACNUR/F. Noy.

Ibrahim brinca feliz em frente a sua mãe na fronteira camaronesa da cidade de Gbiti. A ferida de machete que tem na cabeça será uma lembrança do seu encontro com a morte nas mãos de milicianos, do outro lado da fronteira, em seu país natal, na República Centro-Africana (RCA).

Ele deve sua vida à rápida intervenção da equipe da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em Camarões, que viu sua ferida enquanto atravessava o raso rio que marca a fronteira com a RCA e o levou às pressas para o hospital na cidade de Bertoua, que fica a três horas de carro de Gbiti.

Além da ferida exposta, o garoto estava fraco e desnutrido devido à caminhada pela mata com seus pais em busca de segurança nos Camarões. “Durante esses dois meses ele não dormiu, pois não podia. Ele não parava de chorar”, lembra sua mãe, Djoumba.

A maior parte das pessoas que chegam a Gbiti está exausta e em condições físicas precárias depois de fugirem dos ataques brutais à suas casas por elementos armados. Por isso, o ACNUR e seus parceiros estão monitorando de perto as milhares de pessoas que atravessam para a cidade fronteiriça.

Aqueles que necessitam de internação são levados a Bertoua, enquanto os demais são alocados em campos de refugiados. Cerca de 20 mil refugiados já atravessaram a fronteira até Gbiti.

Ainda assim, muitas das crianças que fogem da brutalidade na RCA não conseguem chegar aos países vizinhos onde o ACNUR, o Médico Sem Fronteiras e outras agências humanitárias fornecem assistência emergencial, incluindo itens básicos como abrigos e cuidados com a saúde. Elas morrem em ataques, de fome ou de doenças no caminho pela busca por segurança.