Agência da ONU pede que países ajudem 49 refugiados presos no Mar Mediterrâneo

Migrantes que atravessavam o Mar Mediterrâneo são resgatados por navio belga. Foto: Frontex/Francesco Malavolta

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) pediu no último dia de 2018 para Estados-membros da ONU fornecerem locais seguros para desembarque de 49 refugiados e migrantes, incluindo crianças pequenas, a bordo de embarcações de resgate no mar Mediterrâneo.

Um navio de uma organização não governamental chamado The Sea Watch 3 tem 32 pessoas a bordo desde 22 de dezembro, enquanto outras 17 foram resgatadas pelo Sea Eye em 29 de dezembro.

A perigosa jornada pelo Mediterrâneo é feita por milhares de pessoas que tentam chegar à Europa em busca de uma vida melhor.

De acordo com dados mais recentes do ACNUR, publicados em setembro, o número de mortes aumentou desde 2017, sendo que uma em cada 18 pessoas que cruzaram o Mediterrâneo entre janeiro e julho está desaparecida.

Mais de 2.240 pessoas morreram ou desaparecerem no mar nesta fase da rota em 2018, apesar de uma queda geral no número de chegadas à Europa.

Novas medidas que visavam combater a migração irregular na região central do Mediterrâneo limitaram o acesso a portos e resultaram em taxas mais altas de mortes.

Com a ausência de uma abordagem colaborativa às travessias no mar Mediterrâneo, embarcações de resgate enfrentam incertezas sobre designações para portos seguros para desembarques.

As pessoas que chegaram à Europa diretamente ou por rotas através da Líbia contaram os horrores de múltiplas formas de abusos e muitas vezes testemunharam mortes ao longo do caminho.

Para os 49 migrantes e refugiados que aguardam desembarque seguro, “liderança decisiva é exigida, em linha com valores fundamentais de humanidade e compaixão”, disse o enviado especial do ACNUR para a região central do Mediterrâneo, Vincent Cochetel.

“Negociações sobre quais Estados irão subsequentemente recebê-los deve acontecer somente após estarem seguros em solo”.

Ecoando um pedido para colocar vidas em primeiro lugar, o chefe da agência para a Europa, Pascale Moreau, disse que “isto não é mais um teste sobre se a Europa consegue lidar com os números, mas se a Europa pode reunir a humanidade para salvar vidas”.

O ACNUR elogiou o trabalho de embarcações de busca e resgate de ONGs por suas “funções essenciais para impedir que o número de mortos suba ainda mais”.

Em 2019, “há uma necessidade crucial de encerrar a abordagem barco a barco”, afirmou a agência, pedindo para Estados implementarem acordos que irão fornecer clareza sobre onde desembarcar refugiados e migrantes presos no Mediterrâneo.