Agência da ONU pede fundos para migrantes que fazem jornada entre Iêmen e Chifre da África

À medida que conflitos e desastres naturais continuam a deteriorar as condições de vida na região do Chifre da África e no Iêmen, um grande número de pessoas tem sido levado a cruzar o golfo de Áden, no norte do Oceano Índico. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu US$ 45 milhões para fornecer ajuda humanitária a 81 mil migrantes ao longo de três anos.

Uma criança de 8 anos carrega seu irmão de 2 anos em um campo para pessoas deslocadas em conflito no Iêmen. Foto: ACNUR/Mohammed Hamoud

Uma criança de 8 anos carrega seu irmão de 2 anos em um campo para pessoas deslocadas em conflito no Iêmen. Foto: ACNUR/Mohammed Hamoud

À medida que conflitos e desastres naturais continuam a deteriorar as condições de vida na região do Chifre da África e no Iêmen, um grande número de pessoas tem sido levado a cruzar o golfo de Áden, no norte do Oceano Índico.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu no início de agosto 45 milhões de dólares para fornecer ajuda humanitária a 81 mil migrantes ao longo de três anos.

O Plano Regional de Resposta a Migrantes, lançado pela OIM, pretende cobrir os movimentos migratórios de ambas as direções entre o Iêmen e as nações do Chifre da África, como Djibuti, Somália e Etiópia.

“As necessidades humanitárias na região continuam muito grandes, o que deixa os migrantes e as comunidades que os recebem em situação vulnerável”, declarou Jeffrey Labovitz, diretor regional da OIM para a região e para a África Oriental.

Só para o ano de 2018, a OIM prevê a chegada de 100 mil pessoas ao Iêmen – apesar do conflito em curso no país – e de aproximadamente 200 mil retornos do Iêmen e da Arábia Saudita aos países do Chifre da África.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros terão como foco os migrantes em maior risco.

Esse grupo é formado por cerca de 81 mil pessoas, incluindo mulheres vulneráveis; crianças desacompanhadas e idosos; membros de minorias étnicas e religiosas; e vítimas de violência, bem como pessoas com deficiência, povos indígenas e vítimas de tráfico humano.

A migração irregular que parte do Chifre da África para os países do Golfo tem aumentando em ritmo regular nos últimos anos. A maioria daqueles que realizam o trajeto está em busca de trabalho.

Desses migrantes, aproximadamente 100 mil entraram no Iêmen apenas em 2017. De maneira frequente, migrantes e refugiados cruzam o golfo de Áden, a partir do Djibuti ou da Somália, chegando ao Iêmen com apoio de contrabandistas.

Os países nesta rota possuem grandes desafios humanitários.

No Iêmen, onde os conflitos ocorrem desde março de 2015, mais de 20 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, enquanto a Somália e a Etiópia também sofrem com emergências complexas devido a conflitos e desastres naturais recorrentes, como inundações e secas.

O plano de migração de três anos inclui atividades humanitárias essenciais, como registros de retorno, aconselhamento psicossocial para sobreviventes de abuso e violência, assistência em transporte e apoio à reintegração econômica em suas comunidades.

O documento também detalha as ações de longo prazo, como o trabalho lado a lado com governos para construir capacidades nacionais e locais na gestão da migração; intervenções de salvamento no mar e na guarda costeira; e infraestrutura socioeconômica sustentável para apoiar as comunidades de origem, trânsito e destino.

Em um comunicado, a OIM afirmou que os objetivos do plano estão de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, garantindo que os esforços humanitários e de desenvolvimento se auxiliem mutuamente.