Agência da ONU pede fim da tragédia de refugiados e migrantes no Mediterrâneo

Após relatos na imprensa de que cerca de 170 refugiados e migrantes morreram ou desapareceram durante dois novos naufrágios no Mar Mediterrâneo, o alto-comissário da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, afirmou no sábado (19) que “nenhum esforço deveria ser poupado” em salvar vidas no oceano.

Em 2018, 2.262 indivíduos morreram durante tentativas de cruzar o Mediterrâneo com destino à Europa, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Refugiados de países da África Subsaariana aguardam assistência e exames médicos da Cruz Espanhola no Porto de Málaga, após desembarcarem de um navio de resgate. Imagem de setembro de 2018. Foto: ACNUR/Markel Redondo

Refugiados de países da África Subsaariana aguardam assistência e exames médicos da Cruz Espanhola no Porto de Málaga, após desembarcarem de um navio de resgate. Imagem de setembro de 2018. Foto: ACNUR/Markel Redondo

Após relatos na imprensa de que cerca de 170 refugiados e migrantes morreram ou desapareceram durante dois novos naufrágios no Mar Mediterrâneo, o alto-comissário da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, afirmou no sábado (19) que “nenhum esforço deveria ser poupado” em salvar vidas no oceano. Em 2018, 2.262 indivíduos morreram durante tentativas de cruzar o Mediterrâneo com destino à Europa, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

De acordo com várias ONGs, em torno de 53 pessoas morreram na região oeste do Mediterrâneo. Um sobrevivente foi resgatado por um barco de pesca depois de passar mais de 24 horas à deriva na água. Ele está recebendo tratamento médico no Marrocos. De acordo com o ACNUR, embarcações de resgate do país e também da Espanha já procuram há vários dias — sem sucesso — pelo bote naufragado e outros sobreviventes.

A Marinha Italiana notificou outro naufrágio, envolvendo a morte ou desaparecimento de 117 indivíduos, segundo três resgatados que escaparam vivos e estão recebendo cuidados de saúde em Lampedusa. O barco que afundou partiu da Líbia e seguia pelo Mediterrâneo Central para o continente europeu.

“Não se pode permitir que a tragédia do Mediterrâneo continue”, afirmou Grandi.

“Não podemos fechar os olhos para os altos números de pessoas que morrem às portas da Europa.”

O ACNUR não conseguiu verificar de maneira independente o número de mortos nos dois incidentes, mas a agência internacional estima que, apenas no ano passado, mais de 2,2 mil pessoas morreram em travessias do Mediterrâneo.

Em comunicado, o organismo internacional diz “estar preocupado com o fato de que ações dos Estados estão cada vez mais impedindo ONGs de conduzir operações de busca e resgate”. A instituição da ONU pediu que essas medidas sejam suspensas imediatamente.

O ACNUR também afirmou que esforços maiores são necessários para evitar que refugiados e migrantes se arrisquem “nessas jornadas desesperadas”. Isso inclui, ressaltou a entidade, mais caminhos seguros e legais para ter acesso a asilo na Europa. Dessa forma, quem está fugindo da guerra ou de perseguições não vai achar que não tem escolha a não ser colocar suas vidas nas mãos de traficantes e contrabandistas inescrupulosos, completou a agência.


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