Agência da ONU para refugiados quer maior empenho da Europa em abrigar sírios

Chefe da agência das Nações Unidas para refugiados disse que a política de asilo europeia é falha e que dar abrigo aos sírios deveria ser prioridade para os países do continente.

Família síria que fugiu do país e atualmente mora na França. Foto: ACNUR/J.Tanner

A Europa precisa de uma abordagem mais generosa e consistente para com os refugiados sírios, afirmou o chefe da agência da ONU para os refugiados, António Guterres, em encontro com líderes europeus na quinta-feira (17). “Garantir padrões adequados de tratamento para eles deve ser uma prioridade para cada Estado-Membro do bloco”, acrescentou.

Guterres mencionou também exemplos positivos na Europa. Apenas dois países do continente – Alemanha e Suécia – receberam quase dois terços dos refugiados sírios que buscaram proteção em todo o território europeu.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) ressaltou que a Europa recebeu pouco mais de 40 mil sírios desde o início dos confrontos entre o governo e os rebeldes em 2011. É um número pequeno se comparado com os países vizinhos da Síria, que receberam quase 1,8 milhão de refugiados.

“Enquanto o êxodo continua e as perspectivas para uma solução política na Síria continuam fracas, há sinais de desestabilização em alguns países vizinhos. O Líbano continua mantendo suas fronteiras abertas, mas a segurança está se tornando cada vez mais difícil para os sírios que tentam fugir”, alertou Guterres.

O chefe da agência da ONU para os refugiados ainda citou as falhas do sistema de asilo europeu, como a inconsistência dos tipos de proteção e direitos assegurados aos sírios no continente, o tratamento instável aos refugiados e o uso excessivo de detenções.

Guterres propôs cinco passos fundamentais para serem adotados pela União Europeia: garantir um acesso rápido e justo dos refugiados sírios em todo o território, proteção generosa e coerente, flexibilização nas políticas de asilo existentes, dispensa de requisitos de visto e facilidade na entrada de sírios que querem trabalhar, estudar e encontrar suas famílias.

Desde o início do conflito entre o governo sírio e os rebeldes que querem depor o presidente Bashar Al-Assad em 2011, cerca de 100 mil pessoas morreram e a ONU estima que pelo menos 6,8 milhões de sírios necessitem de assistência humanitária urgente, metade dos quais são crianças.