Agência da ONU para desenvolvimento industrial completa 50 anos e destaca cooperação com o Brasil

Brasil foi um dos fundadores da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), criada há 50 anos por coligação de países em desenvolvimento para contrabalançar o peso econômico dos países ricos. Agência já desenvolveu diversos projetos em parceria com Ministérios brasileiros e organismos como SENAI e INMETRO.

Indústria brasileira. Foto: Arquivo Agência Brasil

Indústria brasileira. Foto: Arquivo Agência Brasil

O Brasil exerce forte presença no campo do desenvolvimento industrial e, como líder do Grupo dos 77 (G-77), coligação de países em desenvolvimento, foi um dos fundadores da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), que celebra, este ano, seu 50º aniversário.

A UNIDO foi criada como uma iniciativa do G-77 com o intuito de contrabalançar o peso econômico dos países desenvolvidos. Ao longo de cinco décadas, estabeleceu mecanismos claros de transferência de tecnologia e promoção da industrialização nos países em desenvolvimento, usando uma ampla gama de ferramentas para aumentar os fluxos de investimento e promover parcerias internacionais.

Historicamente, a indústria tem desempenhado um papel proeminente no desenvolvimento econômico do Brasil. Devido à crescente internacionalização das economias domésticas, há uma necessidade urgente de melhorar as estruturas industriais de forma a incorporar as necessidades ambientais e sociais, para que os países possam se tornar mais competitivos no cenário global.

Da mesma forma, o sistema das Nações Unidas deu início a uma nova fase com a Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030 ratificada pelos chefes de Estado e altos-representantes das Nações Unidas, em setembro de 2015. Este abrangente e extenso conjunto de transformadores objetivos e metas universais necessita ser plenamente implementado até 2030.

A erradicação da pobreza é reconhecida como o maior desafio global e é um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. É importante destacar que, pela primeira vez na história da ONU, a dimensão econômica emergiu como um aspecto fundamental do desenvolvimento sustentável e, em particular, a industrialização inclusiva e sustentável tornou-se um objetivo claro.

O mandato da UNIDO concentra-se na promoção do desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável (ISID) e, atualmente, a Organização é responsável pelo monitoramento e sistematização das estatísticas industriais globais, atuando como a agência central para os indicadores relacionados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 9.

Ao longo dos últimos 50 anos, a parceria entre a UNIDO e o governo do Brasil conseguiu avanços notáveis em várias áreas por meio de projetos específicos. Entre eles, podemos destacar: a Política de Desenho Industrial (1973); o Centro de Tecnologia Têxtil, em parceria com o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção (1980); o Escritório de Promoção de Investimentos e Tecnologia – ITPO, que promoveu a criação do Porto Digital em Pernambuco (2009); o Centro de Produção mais Limpa, com a Federação da Indústria do Rio Grande do Sul e o SENAI (1995); o desenvolvimento de Estudos de Prospectiva Tecnológica com o Ministério da Indústria e Comércio (1990); a eliminação de brometo de metila, por meio do Protocolo de Montreal, com o Ministério do Ambiente (2002-2004); e o primeiro Fórum de Energias Renováveis em Foz do Iguaçu, em parceria com o Ministério de Minas e Energia (2008), sem esquecer da participação nas conferências das Nações Unidas para o meio ambiente — Rio 92 e Rio+20.

Além disso, a UNIDO tem um notável portfólio de projetos que inclui: o Observatório de Energias Renováveis na América Latina e no Caribe; o Centro Internacional de Energia Renovável de Itaipu; os estudos da cadeia de valor do complexo agroindustrial; a avaliação e impacto do sistema de gestão da qualidade ISO 9001 no Brasil, em cooperação com o INMETRO; e o novo projeto do Protocolo de Montreal para a eliminação do HCFC-22, por meio do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA).

Os resultados obtidos pelo programa de capacitação do Observatório de Energias Renováveis na América Latina e no Caribe merecem destaque. Uma parceria com o governo da Espanha e com universidades de renome internacional tornou possível a promoção de cursos gratuitos de treinamento on-line para aqueles que, nesta região, desejassem aprimorar seus conhecimentos sobre energias renováveis.

Nos últimos dois anos, os cursos atraíram mais de 160 mil participantes, de mais de 161 países, dentre os quais mais de 129 mil brasileiros inscritos. Este sistema inovador combina várias metodologias de educação com a tecnologia da informação e mostra um grande potencial de crescimento. Há uma demanda crescente por treinamentos de alta qualidade, tanto entre aqueles que querem melhorar sua empregabilidade, quanto entre os que querem expandir seus conhecimentos em áreas específicas.

A UNIDO tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do Brasil nos últimos 50 anos e pode ser o parceiro ideal para a próxima geração de indústrias de que o Brasil precisa. Essas indústrias necessitarão de tecnologias limpas a fim de reduzir o consumo de recursos e minimizar as externalidades ambientais negativas, ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade e a competitividade.

No contexto do desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável, o papel da UNIDO tornou-se mais relevante. O seu mandato relaciona-se diretamente com as necessidades indicadas pelo governo nos planos de desenvolvimento do país, especialmente no que tange à situação das mulheres, crianças, jovens e outros grupos vulneráveis, que necessitam de partilhar a prosperidade econômica numa base ambientalmente sustentável.