Agência da ONU monitora retorno a Kivu do Norte a partir de Uganda

Segundo ACNUR, mais de 10 mil pessoas se deslocaram para o distrito de Kisoro, em Uganda, desde a onda mais recente de combates entre as forças armadas da República Democrática do Congo e o movimento rebelde M23.

Refugiados congoleses cruzam a fronteira para Uganda em Bunagana. Número de novas chegadas começou a diminuir. Foto: ACNUR/L.Beck

Refugiados congoleses cruzam a fronteira para Uganda em Bunagana. Número de novas chegadas começou a diminuir. Foto: ACNUR/L.Beck

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) continua respondendo aos fluxos recentes de refugiados congoleses para o sul de Uganda enquanto se prepara para ajudar as pessoas a voltar para casa em áreas libertadas do controle rebelde na fronteira de Kivu do Norte, província na República Democrática do Congo (RDC).

Mais de 10 mil pessoas se deslocaram para o distrito de Kisoro, em Uganda, desde a onda mais recente de combates entre as forças armadas da RDC e o movimento rebelde M23, iniciada em 25 de outubro — mais de 18 meses do depois do estopim do conflito entre ambas as partes.

O governo comemora o sucesso da expulsão do M23 de redutos no Kivu do Norte, incluindo a fronteira de Bunagana com Uganda, por onde cruzam os refugiados. Mais de 3 mil deles já foram transportados pelo ACNUR para o centro de trânsito de Nyakabande, a cerca de 20 quilômetros da fronteira, onde recebem abrigo, alimentação e outros cuidados.

Outros milhares de refugiados permaneceram na zona fronteiriça e o ACNUR tem visto muitos retornarem a Kivu do Norte desde que o exército congolês capturou a cidade. Dois dias depois a fronteira estava bem mais calma, embora ainda houvesse algumas chegadas de Lunyonyi, onde combates esporádicos continuam.

Várias pessoas retornaram para a RDC na semana passada depois de passar uma noite em Uganda. Se a situação em Bunagana e em outros lugares do Kivu do Norte continuar a se estabilizar nos próximos dias, o ACNUR espera o retorno da maioria delas.

Uganda também responde a uma segunda crise de deslocamento no noroeste. Desde o último mês, cerca de 4 mil pessoas deixaram a província de Orientale, na RDC, em direção ao distrito de Koboko para escapar dos ataques do pouco conhecido grupo M18.

No início deste ano, milhares de pessoas fugiram de Kivu do Norte para o distrito de Bundibugyo, em Uganda, tentando escapar da violência promovida por outro grupo rebelde de Uganda, as Forças Democráticas Aliadas.