Agência da ONU lança Semana de Vacinação nas Américas em Cuba

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou na segunda-feira (23) em Cuba a Semana de Vacinação das Américas — iniciativa de imunização mais importante do continente. Durante a campanha, organizada pela agência da ONU desde 2003, os países da região vacinarão 70 milhões de pessoas contra mais de uma dezena de doenças.

A Semana de Vacinação é uma oportunidade para aumentar a cobertura de imunização e garantir que todos tenham acesso a ela. Durante a campanha, milhares de profissionais de saúde das Américas farão um esforço especial para alcançar as populações mais vulneráveis e com pouco acesso aos serviços de saúde.

Cuba foi escolhida para o lançamento regional por seus êxitos na eliminação de doenças preveníveis por vacinação e no desenvolvimento de vacinas. Foto: UNICEF/Shehab Uddin

Cuba foi escolhida para o lançamento regional por seus êxitos na eliminação de doenças preveníveis por vacinação e no desenvolvimento de vacinas. Foto: UNICEF/Shehab Uddin

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou na segunda-feira (23) em Cuba a Semana de Vacinação das Américas — iniciativa de imunização mais importante do continente. Durante a campanha, organizada pela agência da ONU desde 2003, os países da região vacinarão 70 milhões de pessoas contra mais de uma dezena de doenças.

“A vacinação é uma das ferramentas mais poderosas que a ciência nos deu para prevenir doenças e salvar vidas”, afirmou Carissa F. Etienne, diretora da OPAS, durante o lançamento da Semana no Instituto de Ciências Básicas e Pré-Clínicas Victoria de Girón, em Havana. Ministros e outras autoridades de saúde da América Latina e do Caribe, bem como de outras regiões do mundo, também participaram do evento.

Cuba foi escolhida para o lançamento regional por seus êxitos na eliminação de doenças preveníveis por vacinação e no desenvolvimento de vacinas, disse Etienne. “É um exemplo de compromisso, investimento e ‘paixão’ por saúde”, declarou. A diretora também lembrou que o país obteve conquistas na eliminação da poliomielite, tétano neonatal, difteria, sarampo, rubéola, síndrome da rubéola congênita, coqueluche e caxumba.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, também participou do lançamento da iniciativa, que inspirou a OMS a organizar, desde 2012, a Semana Mundial de Imunização. Tedros afirmou que “Cuba não desfruta apenas de cobertura universal de vacinas, mas também produz e exporta esses produtos”, lembrando que a Semana é uma oportunidade “para lembrar o incrível valor das vacinas”.

As vacinas salvam até 3 milhões de vidas a cada ano por doenças como sarampo, coqueluche e diarreia. Segundo a agência da ONU, nunca antes houve um número tão grande de crianças sendo vacinadas em todo o mundo. Mesmo assim, milhões delas não recebem esses instrumentos que salvam vidas. “Não devemos tolerar um mundo em que uma criança morra por uma doença que pode ser facilmente evitada por uma vacina acessível”, disse o diretor-geral da OMS.

O vice-ministro da Saúde Pública de Cuba, José Miranda, disse que no país “a vacinação é totalmente gratuita, universal e integrada ao primeiro nível de atenção”. Ele acrescentou que Cuba alcança “uma cobertura superior a 98% em todas as vacinas, resultando em um alto nível imunológico da população”.

Miranda destacou ainda que “uma média de 4,8 milhões de doses de vacinas contra 13 doenças são administradas anualmente” e que oito das 11 vacinas aplicadas são produzidas no país. Ele lembrou que a primeira campanha contra a pólio em Cuba ocorreu em 1962, quando 2,6 milhões de crianças e adolescentes com menos de 15 anos foram vacinados. Esses e outros esforços levaram o país a se tornar o primeiro na região a eliminar essa enfermidade.

Vacinas para a saúde universal

A imunização é um elemento básico para a saúde universal, o que significa que todas as pessoas, em todos os lugares, devem estar cobertas e ter acesso a cuidados de qualidade, sem enfrentar barreiras e sem ter que passar por dificuldades financeiras. Estima-se que o aumento do acesso às vacinas em países de baixa e média renda até 2030 poderia evitar que 24 milhões de pessoas caíssem na pobreza devido aos gastos com saúde.

A Semana de Vacinação é uma oportunidade para aumentar a cobertura de imunização e garantir que todos tenham acesso a ela. Durante a campanha, milhares de profissionais de saúde das Américas farão um esforço especial para alcançar as populações mais vulneráveis e com pouco acesso aos serviços de saúde.

O continente americano eliminou seis doenças preveníveis por vacinas: varíola, poliomielite, sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita e tétano neonatal. No entanto, atualmente existem surtos de sarampo, difteria e febre amarela dentro e fora da região. “É responsabilidade de cada país manter uma alta cobertura de vacinação em nível local para prevenir e controlar esses surtos”, disse Etienne.

Onze países informaram que, durante a Semana, reforçarão a imunização contra o sarampo, vacinando 6 milhões de pessoas. Cinco países vacinarão contra a febre amarela.

A 16ª Semana de Vacinação nas Américas será realizada até 28 de abril e tem como lema: “Fortaleça suas defesas. Vacine-se. As vacinas funcionam”. Mais de 720 milhões de pessoas de todas as idades foram vacinadas durante as campanhas realizadas no marco da Semana de Vacinação das Américas.

Outros países que realizaram o lançamento regional da Semana de Vacinação nos últimos anos foram México, Jamaica, Belize-Guatemala, Uruguai e Haiti.

Reconhecimento de sanitarista cubano

Durante a cerimônia, Etienne entregou um reconhecimento da OPAS ao especialista em saúde cubano Miguel Angel Galindo Sardinpa “pelo trabalho de uma vida dedicada à vacinação”. Galindo, de 85 anos, era responsável pelo Programa Nacional de Imunização do país e, sob sua liderança, foi desenvolvida a primeira campanha contra a poliomielite, há 55 anos.

Graduado na carreira médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Havana em 1960, Galindo assumiu várias responsabilidades durante a carreira. Foi médico e diretor do Hospital Heíroes de Baire, diretor regional de Saúde Pública da Ilha de Pinos, chefe do departamento de epidemiologia da Regional de Saúde Pública de Guanabacoa e Marianao, chefe do departamento de epidemiologia do Centro Provincial de Higiene e Epidemiologia da capital, da Delegação Médica em Guiné-Bissau e África Ocidental, além do Programa Nacional de Imunização.

Ele também recebeu reconhecimento como Trabalhador de Mérito da Saúde Pública em 1997, Membro Honorário da Sociedade Dominicana de Pediatria em 1991 e, em 1999, Prêmio de Imunização da OPAS.