Agência da ONU lamenta assassinato de prefeito polonês pró-refugiados

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou na segunda-feira (14) estar “profundamente chocada e triste” pela morte de Pawel Adamowicz, o prefeito da cidade polonesa de Gdansk, que foi esfaqueado no domingo, durante um evento de caridade a céu aberto. De acordo com o organismo internacional, o líder municipal recebia correspondências com discurso de ódio por causa de seus posicionamentos a favor dos refugiados.

Paweł Adamowicz, prefeito de Gdansk, fotografado em janeiro de 2018. Foto: ACNUR/Rafal Kostrzynski

Paweł Adamowicz, prefeito de Gdansk, fotografado em janeiro de 2018. Foto: ACNUR/Rafal Kostrzynski

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou na segunda-feira (14) estar “profundamente chocada e triste” pela morte de Pawel Adamowicz, o prefeito da cidade polonesa de Gdansk, que foi esfaqueado no domingo, durante um evento de caridade a céu aberto. De acordo com o organismo internacional, o líder municipal recebia correspondências com discurso de ódio por causa de seus posicionamentos a favor dos refugiados.

Segundo a imprensa, o assassino de Adamowicz é um homem de 27 anos, com um histórico de violência, que havia sido liberado da prisão no mês passado. Após atacar o prefeito no palco, diante de centenas de pessoas, o criminoso disse para a multidão que passou a se ressentir do ex-partido político de Adamowicz, após ser preso em 2014 por crimes violentos. Não há evidência, até o momento, de que o atentado à vida do prefeito tenha sido motivado por questões políticas.

Em pronunciamento sobre o caso, o ACNUR descreveu o governante de Gdansk como “um líder moral profundamente corajoso, que mostrou o caminho para ajudar refugiados e migrantes a se integrar”.

O represente da agência para a Europa Central, Montserrat Feixas Vihe, afirmou que Adamowicz “recebia correspondências com discurso de ódio por seu posicionamento pró-refugiados, mas (o prefeito) não fraquejou em sua crença de que a integração, que traz consigo novos talentos, habilidades, cores, línguas e uma nova mentalidade, era uma proposta com ganhos para todos em sua cidade”.

Na sequência do assassinato, manifestações de luto foram registradas em toda a Polônia. O presidente Andrzej Duda disse que o ocorrido é “um mal difícil de imaginar” e declarou o dia do falecimento como dia de luto nacional.

A nota do ACNUR acrescenta que os funcionários da instituição estavam “profundamente chocados e tristes” com a notícia da morte de Adamowicz, prefeito da cidade portuária desde 1998. “Nossos pensamentos estão com sua família, amigos e colegas”, completa o comunicado.

A agência lembra ainda que Adamowicz lançou, à frente da Prefeitura, o “Modelo de Integração de Imigrantes” de Gdansk, após se encontrar com o Papa Francisco em 2016. Essa estratégia para acolher estrangeiros foi um modelo que inspirou outras cidades polonesas.

Em fevereiro do ano passado, o ACNUR publicou uma matéria sobre os esforços do prefeito para mostrar “um novo tipo de solidariedade” com os refugiados e migrantes, com base no famoso legado da sua cidade como berço da luta para derrubar a ditadura comunista.

“Para mim, tudo se resume aos argumentos morais”, disse à época o prefeito ao organismo da ONU, explicando que o modelo de integração, adotado em seguida por outras cidades, precisava ser criado.

“O mais importante são os nossos valores cristãos, a obrigação humanitária de ajudar as pessoas. Eu senti que cabia a nós assumir a liderança.”