Agência da ONU financia construção de casas em campo de refugiados do Quênia

Quando a sul-sudanesa Florence Idiongo se uniu aos milhares de refugiados que buscavam proteção no Quênia há três anos, ela teve que viver em uma barraca de plástico com 12 pessoas, incluindo seus filhos, irmãos e outros parentes.

O ambiente era quente, superlotado e oferecia o mínimo de proteção para sua família, que precisava vigiar constantemente alimentos e pertences. “Às vezes, tínhamos que cozinhar dentro da barraca durante as temporadas de chuvas e era muito arriscado para a saúde das crianças”, contou.

Mas a situação mudou. Com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ela teve acesso a recursos para se juntar a outros 1 mil refugiados que estavam construindo suas próprias casas, mais seguras, no assentamento de Kalobeyei.

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Quando a sul-sudanesa Florence Idiongo se uniu aos milhares de refugiados que buscavam proteção no Quênia há três anos, ela teve que viver em uma barraca de plástico com 12 pessoas, incluindo seus filhos, irmãos e outros parentes.

O ambiente era quente, superlotado e oferecia o mínimo de proteção para sua família, que tinha que constantemente vigiar alimentos e pertences. “Às vezes, tínhamos que cozinhar dentro da barraca durante as temporadas de chuvas e era muito arriscado para a saúde das crianças”, contou.

Mas a situação mudou. Com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ela teve acesso a recursos para se juntar a outros 1 mil refugiados que estavam construindo suas próprias casas, mais seguras, no assentamento de Kalobeyei.

O projeto foi originado em junho de 2015 quando Kalobeyei foi inaugurado para aliviar a superlotação no antigo campo de Kakuma, localizado nas proximidades. Entre os principais objetivos do novo assentamento estava a melhoria das condições socioeconômicas dos refugiados e das comunidades anfitriãs locais.

A intervenção baseada em ajuda financeira do ACNUR, onde refugiados como Florença recebem dinheiro em cartões de débito especiais para comprar cimento, areia, blocos de pedra e outros materiais para construir as residências, foi imprescindível para melhorar a assistência.

“Queríamos dar mais dignidade às pessoas e dar-lhes liberdade de escolha”, disse Moffat Kamau, associado sênior de intervenção financeira do ACNUR com sede em Kakuma.

Segundo Kamau, esta estratégia está alinhada ao objetivo de Kalobeyei de garantir a integração socioeconômica dos refugiados na comunidade local e reduzir a dependência da assistência humanitária. “Os refugiados são donos do processo de construção e há uma relação custo/benefício, pois eles podem construir casas melhores a custos mais baixos”, acrescentou.

Milhões de refugiados e outras pessoas em situações similares em diversos países do mundo têm conseguido controlar melhor suas vidas desde que o ACNUR começou a expandir a assistência baseada em ajuda financeira em 2016.

A assistência faz parte de uma ampla gama de iniciativas por meio das quais o ACNUR, em parceria com países doadores, governos e parceiros do setor privado, estão fortalecendo a nova resposta às condições de vida dos refugiados em todo o mundo.

O programa visa ajudar refugiados, solicitantes de refúgio, retornados, deslocados internos e apátridas a atender suas necessidades com dignidade, garantindo que eles estejam mais bem protegidos e possam se tornar mais resilientes.

Nos últimos três anos, mais de 16 milhões de pessoas em mais de 100 países receberam ajuda para construir ou melhorar casas, pagar aluguel, comprar remédios, pagar dívidas ou até abrir um negócio, entre outras atividades. O ACNUR agora oferece mais dinheiro como forma de ajuda.

Em Kalobeyei, cada conjunto de abrigos é formado por 12 a 14 casas, que podem ser construídas em uma média de 22 dias. Os refugiados têm poder de barganha na compra de materiais de construção, pois colaboram com seus vizinhos para conseguir os materiais a granel. Esse uso eficiente e eficaz dos fundos permite que eles gastem o dinheiro restante em melhorias domésticas ou outras necessidades básicas, como sabão e materiais de cozinha.

“Ao dar aos refugiados dinheiro para construir suas próprias casas, capacitamos toda a comunidade a cuidar de suas vidas”, acrescenta Kamau. “Esse processo melhorou as relações com a comunidade local, à medida que o dinheiro gasto é devolvido à economia local”.

O ACNUR fez parceria com o Equity Bank no Quênia para abrir contas bancárias para refugiados que, em seguida, usam seus cartões de débito especiais para acessar o dinheiro para construir seus abrigos.

O dinheiro é enviado em três parcelas para garantir que as famílias construam as casas de maneira estruturada e em conformidade com os padrões de construção desenvolvidos pelos especialistas em abrigos do ACNUR.

Como Florence tem uma família numerosa, ela é elegível para assistência na construção de duas casas permanentes e já construiu uma delas por completo.

“Me sinto feliz. Você vê que sua casa é diferente e está confortável por dentro”, disse ela. “Você pode comprar roupas para as crianças e também pode comprar um colchão, cadeiras e cortinas. A gente se sente bem”.

Até agora, mais de 1 mil refugiados, incluindo Florence, conseguiram construir casas mais seguras e duráveis por meio do projeto apoiado por países doadores importantes, como o governo do Japão.

O sucesso do projeto será apresentado ainda esta semana na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano, um evento anual liderado pelo governo do Japão, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Comissão da União Africana e o Banco Mundial.

No Fórum Global para Refugiados, que acontecerá em dezembro, os países explorarão iniciativas e melhores formas de compartilhar e fortalecer a resposta internacional às situações de refúgio.

Como Florence espera seu quinto filho, ela olha para o futuro com uma esperança renovada. “Quero o futuro dos meus filhos prospere. Vou administrar esse dinheiro e construir outra casa”, declarou.