Agência da ONU envia apoio a refugiados congoleses em Angola

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está enviando tendas, mosquiteiros e outros itens essenciais de ajuda para Angola, para onde cerca de 9 mil refugiados da República Democrática do Congo (RDC) fugiram somente neste mês.

Moradores da província de Kasai, na República Democrática do Congo (RDC), aguardam distribuição de alimentos pelas organizaçõres COPROMOR e Christian Aid. Foto: Joseph Mankamba/OCHA-DRC

Moradores da província de Kasai, na República Democrática do Congo (RDC), aguardam distribuição de alimentos pelas organizaçõres COPROMOR e Christian Aid. Foto: Joseph Mankamba/OCHA-DRC

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está enviando tendas, mosquiteiros e outros itens essenciais de ajuda para Angola, para onde cerca de 9 mil refugiados da República Democrática do Congo (RDC) fugiram somente neste mês.

“Refugiados têm fugido de ataques de grupos milicianos, que buscam atingir policiais e militares ou civis que acreditam estar apoiando ou representando o governo”, disse Babar Baloch, porta-voz do ACNUR, a jornalistas na sede da ONU em Genebra.

Os civis chegam principalmente a Dundo, capital da província de Luanda Norte. O ACNUR enviará no sábado (22) uma equipe adicional de emergência para a cidade com o objetivo de apoiar os esforços de ajuda.

Há preocupações de que a situação possa piorar, enquanto a época de chuvas em Angola chega a seu pico em abril, complicando ainda mais as condições de vida e de saúde dos refugiados, particularmente mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Os refugiados estão fugindo da região de Kasai, uma área anteriormente pacífica que passou a registrar atos de violência em meados de 2016, depois de um líder tradicional, Kamauina Nsapu, ter sido morto em confrontos com as forças de segurança. Desde então, o conflito deslocou mais de 1 milhão de civis.

“As pessoas que chegam estão assustadas e ainda temem por suas vidas, e mencionaram não ter planos imediatos e voltar para casa”, disse Balock. “Alguns pais enviaram suas crianças para a fronteira, preocupados de que elas poderiam ser recrutadas à força por milícias caso tivessem permanecido na RDC”.

Crianças estão sendo mortas

Há preocupação especial com a situação das crianças em Kasai. Estima-se que 2 mil foram recrutadas pelas milícias na região, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Essas crianças estão sendo mortas ou feridas no conflito, e frequentemente enclausuradas”, disse o porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac, em Genebra.
Mais de 4 mil crianças foram separadas de suas famílias e ao menos 300 ficaram seriamente feridas, de acordo com a agência da ONU.

“Essas crianças deveriam estar seguras em suas casas, escolas e playgrounds, não forçadas a combater no campo de batalha ou serem feridas ou mortas pela violência”, disse Boulierac.

A violência na região também teve um impacto devastador na educação e nos sistemas de saúde. Mais de 350 escolas foram destruídas nas províncias de Kasai Central e Kasai Oriental, e um em cada três centros de saúde não funciona mais.

A agência da ONU afirmou ainda que muitas crianças que chegam a Angola estão desnutridas e doentes, sofrendo de diarreia, febre e malária.


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