Agência da ONU elogia prorrogação da vacinação contra sarampo e pólio no Brasil

O Brasil prorrogou até o dia 14 de setembro a campanha nacional de vacinação contra pólio e sarampo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, até segunda-feira (3), 88% das crianças brasileiras com menos de cinco anos haviam sido imunizadas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), agência regional das Nações Unidas, elogiou a decisão do governo por considerar que o ideal é alcançar um índice de mais de 95% de cobertura vacinal.

Governo brasileiro prorrogou campanha de vacinação contra a pólio e o sarampo. Foto: Agência Brasil/Tomaz Silva

Governo brasileiro prorrogou campanha de vacinação contra a pólio e o sarampo. Foto: Agência Brasil/Tomaz Silva

O Brasil prorrogou até o dia 14 de setembro a campanha nacional de vacinação contra pólio e sarampo. Segundo dados do Ministério da Saúde, até segunda-feira (3), 88% das crianças brasileiras com menos de cinco anos haviam sido imunizadas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), agência regional da ONU, elogiou a decisão do governo por considerar que o ideal é alcançar um índice de mais de 95% de cobertura vacinal.

O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016 e o da pólio em 1994. No entanto, até que ambas as doenças sejam erradicadas em todo o mundo, como ocorreu com a varíola, existe o risco de um país ou continente ter casos “importados” das enfermidades e de o vírus voltar a circular em seu território.

Por isso, lembra a OPAS, é importante manter taxas altas de imunização e fazer vigilância para identificar fluxos migratórios vindos do exterior e também deslocamentos internos.

Em publicação divulgada na segunda-feira, a agência da ONU “considera acertada” a medida das autoridades brasileiras de adiar o fim da atual campanha de vacinação, que tem como público-alvo crianças de um a quatro anos de idade.

Atualmente, a transmissão endêmica da pólio — quando ocorre de forma contínua e constante dentro de uma determinada área — é identificada em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Até agosto de 2018, foram notificados 15 casos da doença em todo o planeta.

Já a propagação endêmica do sarampo ocorre em várias nações. Até junho deste ano, mais de 81 mil casos da patologia foram relatados – metade deles na Europa.

Pólio

A poliomielite é uma doença altamente infecciosa causada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em questão de horas. O vírus é transmitido de pessoa para pessoa por via fecal-oral ou, menos frequentemente, por um meio comum, como água ou alimentos contaminados. O agente patogênico consegue se multiplicar no intestino.

Os sintomas iniciais são febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez do pescoço e dor nos membros. Uma em cada 200 infecções causa paralisia irreversível, geralmente nas pernas. Entre os pacientes, de 5 a 10% morrem quando há paralisia dos músculos respiratórios.

A poliomielite afeta principalmente crianças com menos de cinco anos de idade. Não há cura para a doença, apenas prevenção. A vacinação adequada contra a pólio pode proteger a pessoa por toda a vida.

Sarampo

O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus que é espalhado por tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções nasais ou da garganta. O primeiro sinal da doença geralmente é a febre alta, que começa entre dez e 12 dias após a exposição ao vírus e dura de quatro a sete dias.

Na fase inicial da patologia, o paciente pode apresentar secreções no nariz (“nariz escorrendo”), tosse, olhos vermelhos e aquosos. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também podem se desenvolver nesse estágio. Após vários dias, surge a erupção cutânea (vermelhidão na pele), geralmente no rosto e na parte superior do pescoço. Durante aproximadamente três dias, esse sintoma se espalha, atingindo eventualmente as mãos e os pés. A vermelhidão na pele dura de cinco a seis dias, desaparecendo em seguida. O intervalo entre a exposição ao vírus e a aparição das erupções cutâneas oscila entre sete e 21 dias.

A maioria das mortes por sarampo ocorre por complicações associadas à doença. Entre as mais graves, estão cegueira, encefalite — quando a infecção é acompanhada de edema cerebral —, diarreia grave, podendo provocar desidratação, infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia.

Não existe tratamento antiviral específico contra o vírus do sarampo. A vacinação de rotina em crianças, combinada com campanhas de imunização em massa em países com altas taxas de casos e mortes, são estratégias-chave de saúde pública para reduzir as mortes pela doença em todo o mundo.