Agência da ONU e governo do Piauí avaliam andamento de projeto no semiárido

Representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do governo do Piauí realizaram na semana passada (19) uma série de visitas para avaliar o andamento do projeto “Viva o Semiárido” — iniciativa financiada pela agência da ONU e executada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do estado.

FIDA visitou cooperativas que recebem apoio da ONU e do governo no semiárido piauiense. Foto: FIDA / Manoela Cavadas

FIDA visitou cooperativas que recebem apoio da ONU e do governo no semiárido piauiense. Foto: FIDA / Manoela Cavadas

Representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do governo do Piauí realizaram na semana passada (19) uma série de visitas para avaliar o andamento do projeto “Viva o Semiárido” — iniciativa financiada pela agência da ONU e executada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do estado.

O objetivo do programa é estimular a produção agrícola e reduzir a pobreza entre populações vivendo em regiões secas do território piauiense. A iniciativa prevê investimentos de mais de 30 milhões de reais em 112 planos de negócio, contemplando mais de 4,1 mil famílias.

Durante dez dias, três grupos formados por representantes do FIDA, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), da Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo do Piauí (SETRE) e da Secretaria do Planejamento (SEPLAN) visitaram 17 projetos do programa nos territórios Chapada Vale do Itaim, Serra da Capivara, Vale do Guaribas, Vale do Canindé e Vale do Sambito.

Esta semana ocorre a segunda fase da missão, com revisão de documentos e de acordos firmados entre o governo do estado do Piauí e o FIDA. A etapa final será uma reunião com o governador Wellington Dias (PT), na próxima quinta-feira (25); oportunidade em que serão apresentados acordos e propostas para direcionar os trabalhos nos próximos três anos.

Para o secretário de estado do Desenvolvimento Rural, Francisco Lima, já é possível ver o impacto positivo do projeto nas comunidades contempladas. “Há uma forte tendência dos planos de negócio voltados, principalmente, para ovinocaprinocultura e apicultura. São atividades que impactam a renda das famílias e a adoção de novas tecnologias”, declarou.

Segundo ele, o público-alvo do programa são grupos remanescentes de quilombos, mulheres e jovens. “Ou seja, com o aumento da renda, ocorre a melhoria das condições de convivência no semiárido, o fortalecimento da organização e a integração das atividades da agricultura familiar com projetos estratégicos desenvolvidos pelo estado”, ressaltou.

Hardi Vieira, diretor dos projetos apoiados pelo FIDA no Brasil, participou da missão e afirmou que o balanço da equipe foi positivo, mas frisou que este momento é também de reflexão para garantir êxito até o fim do projeto, em 2020.

“Temos 112 planos de negócios em investimentos produtivos já aprovados que estão chegando aos beneficiários em diversas comunidades dos 89 municípios das áreas de cobertura do programa”, declarou.

“Entretanto, também encontramos vários fatores importantes que serão trabalhados para melhorar o resultado. Foi uma oportunidade de conversarmos com as comunidades, sentirmos como os planos vêm sendo executados e o que precisa de ajuste”, enfatizou Vieira.

Durante a atividade em campo em São Raimundo Nonato, houve a celebração da assinatura de termos de colaboração entre seis associações de agricultores familiares do território Serra da Capivara, contemplando 195 famílias com investimento de 1,3 milhão de reais aplicados para o desenvolvimento da apicultura e caprinocultura daquela região.

Iniciativa busca desenvolver capacidades de trabalhadores rurais para aumentar e qualificar sua produção (agrícola e não agrícola). Foto: Programa Semear

Iniciativa busca desenvolver capacidades de trabalhadores rurais para aumentar e qualificar sua produção (agrícola e não agrícola). Foto: Programa Semear

Revolucionando a criação de ovinos e caprinos

No dia 12 de maio, um grupo da missão visitou a Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Município de Queimada Nova (Caprinova), fundada em 2010 e localizada na Chapada Vale do Itaim.

Apesar do pouco tempo de existência, a associação se destaca pelo crescimento acelerado do rebanho — cerca de 10 mil animais —, representando um terço dos caprinos e ovinos daquele município.

Dos 49 associados, 14 são beneficiados pelo programa “Viva o Semiárido”, que investiu 163 mil reais para o melhoramento do centro de manejo do rebanho e assistência técnica sobre manejo reprodutivo, sanitário e nutricional dos animais.

O projeto também financiou nesta área a abertura de um açude e ainda reforçou a pastagem com o plantio de palma forrageira, consorciada com a leucena e o gliricídio. Cada um dos 14 sócios da Caprinova, que fazem parte do projeto, possuem em média 10 toneladas de material ensilado.

Para Francisco Chagas, diretor de combate à pobreza rural da Secretaria de Desenvolvimento Rural, este projeto pode ser considerado revolucionário por garantir a alimentação dos animais no período de estiagem.

“Já havíamos iniciado o processo de melhoramento de rebanho, mas precisávamos avançar ainda mais. O ‘Viva o Semiárido’ nos deu esta oportunidade e já estamos colhendo bons resultados”, afirmou Gildeci Reis, beneficiário do programa em Queimada Nova.

Piscicultura no semiárido

Maria Aparecida Santos é moradora da comunidade Moreira, município de Dom Inocêncio, e sócia da Associação Rural dos Irrigantes e Piscicultores deste povoado.
Beneficiária do projeto “Viva o Semiárido”, Aparecida é agricultora familiar e, em sua roça, planta cheiro verde, cebola, alface, beterraba e coentro. Vende seus produtos na localidade e nos municípios vizinhos e relembra dos tempos difíceis e da nova fase promissora, devido ao apoio do “Viva o Semiárido”.

“Nasci no Moreira Velho, aqui próximo. Lá, passei meus 40 primeiros anos de vida. Cresci ali, onde eu e minha família tínhamos nossa terra para plantar, mas as águas invadiram nosso lugar e os nossos sonhos”, disse.

“Foi quando, no ano de 2000, viemos para cá. O governo do estado indenizou todas as famílias que possuíam casa própria, dando condições para recomeçarmos, e o programa ‘Viva o Semiárido’ contribuiu, aprovando nosso plano de negócio e profissionalizando nossa principal atividade, que é a piscicultura.”

Com parte do recurso do programa, foram comprados 26 tanques-rede , e a comunidade recebeu assistência técnica do EMATER.

De acordo com o presidente da associação, Raimundo Silva, tanto o trabalho, quanto o lucro são divididos em partes iguais entre os associados do projeto.

“É mais fácil atingirmos nossos objetivos trabalhando em coletividade. (…) A nossa meta é produzir 40 toneladas de peixe por semestre. Com a aplicação destes 205,4 mil do projeto ‘Viva o Semiárido’, temos meios de conseguir nosso objetivo”, disse Nonato, completando que embora a atividade principal seja a piscicultura, o povoado Moreira também atua na horticultura, apicultura e ovinocaprinocltura.

Incentivos na apicultura e ovinocaprinocultura

Rosilane dos Santos tem 17 anos e mora com a família na comunidade Onça, na cidade de São Raimundo Nonato. Ela faz o Ensino Médio e iniciou, este mês, o curso de mecânica para motos, oferecido pelo programa “Viva o Semiárido”, por meio de parceria com a Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo (SETRE).

“Gosto de conhecer várias coisas e vi neste curso uma chance de ampliar meus conhecimentos e, quem sabe trabalhar com isso, futuramente”, disse Rosilane, cujos pais são sócios da Associação dos Moradores da Comunidade Onça e beneficiários do projeto.

Os 44 sócios, entre eles mulheres e jovens, da associação foram contemplados pelo programa com investimento de 339,2 mil reais para desenvolvimento da apicultura e ovinocaprinocultura local com a aquisição de 918 colmeias, implantação de pastagem, de capim de corte e de pisoteio e de palma forrageira, aquisição de matrizes ovinas mestiças e de reprodutores ovinos mestiços, entre outros.

Francisco Chagas, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, enfatizou que, agora, a missão do FIDA pode analisar o desenvolvimento de todos os segmentos do projeto.
“As ações de apoio às atividades produtivas estão a todo vapor e representam o maior avanço do projeto. Também há ações de formação dos jovens em empreendedorismo rural, em parceria com a SETRE. Da mesma forma, está atuando a SEDUC com sua equipe capacitando professores das Escolas Rurais em Educação Contextualizada para o Semiárido”, disse.

“Assim fechamos o ciclo de ações: projetos produtivos, assessoria técnica, formação para os jovens e educação contextualizada nas escolas”, finalizou o diretor de combate à pobreza rural da secretaria.

(Com informações do governo do Piauí e Larissa Machado)