OMS discute possibilidade de usar medicamentos experimentais no tratamento de ebola

Encontro, que reuniu especialistas em ética e cientistas, visa a determinar um quadro de uso de medicamentos experimentais para conter o surto que já matou quase mil pessoas.

Um médico atende paciente na Libéria. Foto: UNMIL/Staton Winter

Um médico atende paciente na Libéria. Foto: UNMIL/Staton Winter

A Organização Mundial da Saúde das Nações Unidas convocou nesta segunda-feira (11) especialistas em ética e cientistas para discutir o uso experimental de remédios no tratamento do ebola, três dias depois que a agência declarou o atual surto da doença na África Ocidental como emergência de saúde pública de preocupação internacional.

A Organização descreveu que os tratamentos recentes de dois trabalhadores de saúde infectados com o vírus ebola usando medicamentos experimentais levantaram questões sobre se remédios que nunca foram testados, ou demostrados ser seguros nas pessoas, deveriam ser usados para conter o surto. Além disso, outras questões surgiram dado o número bastante limitado de medicamentos disponíveis, como quem deveria ser os principais destinatários desses tratamentos experimentais.

A reunião realizada através de teleconferência tem o objetivo de “desenvolver um quadro de como os especialistas devem abordar essa situação de medicamentos sem testar”, porque esse “não é o tema de apenas um tipo de remédio; é realmente um quadro, que pode ser potencialmente aplicável a outras opções à medida que elas surjam”, disse o assistente para segurança da saúde da OMS, Keiji Fukuda.

Na última sexta-feira (8) a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, decretou o surto de ebola como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, seguindo a recomendação unânime tomada pelo Comitê de Emergência, formado por especialistas internacionais, sobre o atual surto de ebola em Guiné, Libéria e Serra Leoa, que já se espalhou para a Nigéria.

Até a última sexta-feira (8) 1.179 casos haviam sido reportados e 961 mortes documentadas.