Agência da ONU capacita jornalistas para cobertura responsável do suicídio

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De Marilyn Monroe a Robin Williams, a espetacularização do suicídio pelos meios de comunicação se repete ao longo do tempo.

De acordo com estudos feitos em diversos países, esse tipo de cobertura pode gerar efeito de contágio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem identificado a abordagem da mídia sobre suicídio como uma área estratégica para prevenir tal ato.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem identificado a cobertura da mídia sobre suicídio como uma área estratégica para ajudar a prevenir tal ato. Foto: Jared Keener (CC)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem identificado a cobertura da mídia sobre suicídio como uma área estratégica para ajudar a prevenir tal ato. Foto: Jared Keener (CC)

De Marilyn Monroe a Robin Williams, a espetacularização do suicídio pelos meios de comunicação se repete ao longo do tempo. Jornais, rádio e televisão frequentemente retratam casos de suicídio de adolescentes como atos heroicos de amor comparáveis à trágica obra Romeu e Julieta, de autoria de William Shakespeare.

De acordo com estudos realizados em diversos países, esse tipo de cobertura pode gerar um efeito de contágio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem identificado a cobertura da mídia sobre suicídio como uma área estratégica para ajudar a prevenir tal ato.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recentemente realizou um seminário virtual sobre as melhores práticas para noticiar suicídios, com o intuito de promover uma cobertura responsável. Mais de 130 jornalistas, especialistas em comunicação e profissionais de saúde mental de 30 países das Américas participaram.

“O contágio do suicídio a partir de notícias em meios de comunicação é real”, afirmou Dan Reidenberg, especialista em saúde mental e prevenção do suicídio. “Um aumento no número de suicídios logo após a cobertura da mídia tem a ver com a frequência das notícias, sua colocação, imagens, detalhes dos meios utilizados e a linguagem utilizada”.

Em sua apresentação, Reidenberg, copresidente da International Media and Suicide Task Force, recomendou evitar explicações simplistas, pois “o suicídio é complexo e raramente pode ser atribuído a uma única causa”. Em vez disso, os jornalistas devem aproveitar a oportunidade para explicar a complexidade dessa questão.

A cobertura responsável de suicídios pode contribuir para sua prevenção. A OMS publicou, em 2000, o documento “Preventing suicide: A resource for media professionals”, um guia para abordar o assunto em todo o mundo.

Na maioria dos casos, as pessoas que acabam com suas vidas sofreram com depressão severa. A depressão é a principal causa de doenças e de incapacidade no mundo. Por esta razão, a OMS selecionou esse tema para o Dia Mundial da Saúde deste ano (7 de abril).

Devora Kestel, chefe da unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da OPAS/OMS, alertou que “nos piores casos, a depressão pode levar ao suicídio”. Kestel pediu aos jornalistas que “cubram o suicídio cuidadosamente para reduzir o risco de comportamento imitativo, modificar percepções incorretas e encorajar a busca por ajuda”.

Entre as recomendações para a cobertura estão evitar descrever o suicídio como inexplicável e esclarecer os sinais de alerta; evitar glorificar ou romantizar o ato do suicídio e tentar apresentar uma história equilibrada sobre a pessoa; evitar incluir o método, local ou detalhes da pessoa que faleceu e limitar as informações aos fatos que o público precisa saber.

Outras precauções incluem evitar retratar o suicídio como uma resposta aceitável às adversidades da vida; evitar títulos sensacionalistas; evitar gráficos e fotografias prejudiciais; evitar o uso de linguagem estigmatizante; não compartilhar o conteúdo de cartas suicidas; evitar citar a polícia ou as primeiras pessoas que presenciaram o ato; e apresentar recursos sempre que possível, como o telefone de linhas de ajuda.


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