Agência da ONU apoia França com transferência de refugiados de campo de Calais

Agência da ONU para Refugiados informou que está ajudando as autoridades francesas na transferência de refugiados e migrantes do campo informal da cidade portuária de Calais. O ACNUR pediu aos países da União Europeia que cooperem com a França na coordenação de atividades. A maior preocupação é com as crianças, que durante a realocação correm o risco de serem exploradas por traficantes de pessoas.

Refugiado com a mala pronta para ser transferido do campo informal para refugiados e migrantes na cidade portuária de Calais, na França. Foto: ACNUR / Olivier Laban-Mattei

Refugiado com a mala pronta para ser transferido do campo informal para refugiados e migrantes na cidade portuária de Calais, na França. Foto: ACNUR / Olivier Laban-Mattei

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) informou na terça-feira (25) que está apoiando as autoridades francesas na transferência de refugiados e migrantes do campo informal da cidade portuária de Calais. A agência pediu aos países da União Europeia que cooperem com a França na coordenação dessa atividade.

Na segunda-feira (24), o governo francês transferiu 1,9 mil pessoas do local, que seguiram para outros abrigos pelo país. O ACNUR esteve presente durante todo o processo.

A agência da ONU informou que nenhum incidente foi reportado e que segue acompanhado a transferência dos refugiados, fornecendo informações sobre os direitos legais e ajudando a identificar as pessoas mais vulneráveis.

A maior preocupação do ACNUR é com as crianças, que durante a realocação correm o risco de serem exploradas por traficantes de pessoas.

“Medidas especiais são necessárias para garantir o bem-estar e a segurança de centenas de crianças não acompanhadas. Isso é importante para que os menores não sejam encaminhados a outros destinos e não corram sérios riscos”, disse o porta-voz do ACNUR, William Spindler.

A agência da ONU defende que as crianças que já saíram de Calais tenham a chance de se reunir com as suas famílias, em especial os 200 menores desacompanhados que já deixaram o acampamento a caminho do Reino Unido.

Spindler acrescentou que é imprescindível que as transferências atendam os interesses das crianças e que, uma vez no Reino Unido, todas as medidas adequadas de proteção sejam empreendidas.

No entanto, ele advertiu que o Reino Unido não pode ser a única solução para os menores desacompanhados em Calais.

Segundo as autoridades francesas, as crianças restantes serão movidas para um local situado ao lado do campo apelidado de “Selva”, onde serão alojadas em um ambiente seguro. Nos próximos dias, elas serão submetidas a entrevistas, para que as autoridades possam identificar seus interesses.

“A situação em Calais destaca a necessidade de uma maior partilha de responsabilidades e coordenação entre os Estados-membros da UE, a fim de preencher as lacunas atuais em matéria de asilo e de recepção, e aumentar as medidas de solidariedade em relação às transferências”, ressaltou Spindler.

Ele pediu uma resposta europeia “coletiva e de longo alcance”, com base nos princípios da humanidade, do acesso à proteção, da solidariedade e da responsabilidade compartilhada”, e reiterou que o ACNUR continua pronto para ajudar a França, o Reino Unido e outros membros da União Europeia na busca de soluções práticas e abrangentes.