Agência da ONU ajuda Brasil a combater infestações de bicho-de-pé

O bicho-de-pé é identificado em aldeias indígenas, comunidades rurais e favelas de grandes cidades. Conhecida também como tungíase, a doença é provocada por uma pulga, que se alimenta do sangue de humanos e animais.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apoia o governo do Brasil a combater o bicho-de-pé. Desde 2018, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, realiza atividades com a agência da ONU em áreas vulneráveis.

O bicho-de-pé é encontrado em regiões remotas e pobres do Brasil, como aldeias indígenas, comunidades rurais e favelas. Foto: OPAS/OMS/Sonia Mey-Schmidt

O bicho-de-pé é encontrado em regiões remotas e pobres do Brasil, como aldeias indígenas, comunidades rurais e favelas. Foto: OPAS/OMS/Sonia Mey-Schmidt

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apoia o governo do Brasil a combater o bicho-de-pé, doença causada por um inseto que provoca hiperinfestações em regiões remotas e pobres do país, como aldeias indígenas. Desde 2018, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, realiza atividades com a agência da ONU em áreas vulneráveis, a fim de tratar casos graves da enfermidade.

O bicho-de-pé é identificado em aldeias indígenas, comunidades rurais e favelas de grandes cidades. Conhecida também como tungíase, a doença é provocada pela pulga Tunga penetrans, que se alimenta do sangue de humanos e animais. O inseto entra na pele por qualquer parte do corpo que esteja em contato com o chão – principalmente pés, mãos e nádegas —, gerando irritação e coceira.

De acordo com a OPAS, apenas na região das Américas, mais de 20 milhões de pessoas estariam em risco de serem infectadas – sobretudo crianças, pessoas com deficiência e idosos.

A infestação pelo inseto pode acontecer em qualquer lugar sem piso sólido. Quando ocorrem lesões múltiplas e um intensa inflamação local, a tungíase pode levar à desfiguração e à mutilação dos pés, reduzindo a mobilidade da pessoa afetada. Esse tipo de complicação provoca, muitas vezes, estigma e exclusão social.

Além disso, a doença do bicho-de-pé traz riscos associados a superinfecções bacterianas,  capazes de causar problemas fatais de saúde, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, tétano ou gangrena.

Orientações sobre limpeza dos locais de moradia e convívio são foco das ações da SESAI para combater infestações do bicho-de-pé. Foto: SESAI/Luís Oliveira

Orientações sobre limpeza dos locais de moradia e convívio são foco das ações da SESAI para combater infestações do bicho-de-pé. Foto: SESAI/Luís Oliveira

Para controlar a doença, a SESAI, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, tem visitado comunidades indígenas particularmente vulneráveis. As ações também têm a colaboração do Ministério da Saúde e Proteção Social da Colômbia.

“As pessoas que moram nessas localidades ficam em contato direto com o chão de terra, dividem o mesmo espaço com animais e vivem de forma mais concentrada, com várias famílias compartilhando uma mesma maloca. Os moradores dessas áreas chegam a ser infestados continuamente, podendo chegar a ter mais de 200 tungas (os bichos-de-pé) no corpo”, afirma Isabelle Roger, ponto focal da OPAS para doenças negligenciadas no Brasil.

“Essa hiperinfestação torna inviável o uso do método tradicional de retirada mecânica dos insetos. Para quebrar o ciclo de transmissão nesses casos, é preciso uma abordagem integral, envolvendo ações em humanos, em animais e no solo.”

Nos humanos e animais, é aplicada uma loção à base de dimeticona, que asfixia as tungas alojadas no interior da pele. O produto permite que em sete dias todos os insetos sejam eliminados do corpo.

A doença do bicho-de-pé também acomete animais. Foto: OPAS/OMS/Isabelle Roger

A doença do bicho-de-pé também acomete animais. Foto: OPAS/OMS/Isabelle Roger

No solo, é feita uma fumigação com inseticida. Em seguida, as equipes de saúde orientam as famílias a varrerem diariamente o chão, deixando apenas a terra batida — o que evita a proliferação dos bichos-de-pé.

“Após essas intervenções, são feitas atividades de educação rotineiramente, a fim de fortalecer a capacidade dessas comunidades de evitarem a ocorrência de novos casos”, acrescenta Bernardino Vitoy, oficial da Unidade de Gênero, Família e Curso de Vida da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil.

Até o momento, a SESAI já realizou ações nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas Alto Rio Negro e Yanomami, com resultados positivos. A secretaria trabalha atualmente na elaboração de um plano de controle da tungíase, com apoio técnico da OPAS e de especialistas da Alemanha e da Colômbia — que é o único país das Américas com uma estratégia finalizada para enfrentar a doença.

Nas Américas, a tungíase é conhecida por uma série de nomes locais como nigua, na Colômbia, Equador e Venezuela; kuti, na Bolívia; pique, no Peru e Argentina; niguá e tü, no Paraguai; bicho-de-pé, no Brasil; chigoe, em Trinidad e Tobago e Guiana; e ogri eye, no Suriname.