Afirmações de presidente palestino sobre Holocausto são ‘inaceitáveis’, diz enviado da ONU

O enviado da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, criticou duramente as palavras do presidente palestino Mahmoud Abbas, que declarou na segunda-feira (30) que a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial teria sido motivada pelas práticas financeiras desse grupo religioso. Representante das Nações Unidas afirmou que líderes têm obrigação de combater antissemitismo.

Memorial do Holocausto em Berlim. Foto: Flickr (CC)/Philippe Amiot

Memorial do Holocausto em Berlim. Foto: Flickr (CC)/Philippe Amiot

O enviado da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, criticou duramente as palavras do presidente palestino Mahmoud Abbas, que declarou na segunda-feira (30) que a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial teria sido motivada pelas práticas financeiras desse grupo religioso. O pronunciamento do chefe de Estado foi feito durante a abertura do Conselho Nacional Palestino.

Para o representante das Nações Unidas, Abbas decidiu usar seu discurso “para repetir um dos insultos antissemitas mais desdenhosos, incluindo por sugerir que o comportamento social dos judeus foi a causa do Holocausto”.

“Tais afirmações são inaceitáveis, profundamente perturbadoras e não servem aos interesses do povo palestino nem à paz no Oriente Médio”, afirmou Mladenov nesta quarta-feira (2). “O Holocausto não ocorreu num vácuo. Foi o resultado de milhares de anos de perseguição. É por isso que tentativas de reescrevê-lo, minimizá-lo ou negá-lo são perigosas.”

O enviado do organismo internacional acrescentou que “líderes têm obrigação de confrontar o antissemitismo em todos os lugares, sempre, e não, de perpetuar as teorias da conspiração que o alimentam”.

Mladenov disse ainda que negar a conexão histórica e religiosa do povo judeu com a terra e os locais sagrados em Jerusalém vai contra a realidade dos fatos.