Afeganistão: violência contra eleitores é ‘ataque à democracia’, alerta ONU

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O Afeganistão sofreu “um padrão perturbador” de ataques a locais de votação desde o início do processo eleitoral, no mês passado, que representa um “ataque à democracia”, disse a missão das Nações Unidas, com centenas de mortos e feridos. Representante da ONU para os direitos humanos visitou o país e elogiou o novo código penal.

Mulheres na fila para votar durante as eleições de abril de 2014 no Afeganistão. Foto: UNAMA / Zachary Golestani

Mulheres na fila para votar durante as eleições de abril de 2014 no Afeganistão. Foto: UNAMA / Zachary Golestani

O Afeganistão sofreu “um padrão perturbador” de ataques a locais de votação desde o início do processo eleitoral, no mês passado, que representa um “ataque à democracia”, disse a missão das Nações Unidas.

De acordo com um novo relatório da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), 23 incidentes de segurança relacionados às eleições já foram registrados desde o início do recenseamento eleitoral em 14 de abril, que antecedem as eleições parlamentares previstas para outubro.

A UNAMA informou que esses incidentes resultaram em 271 mortos e feridos de civis e incluem o atentado suicida de 22 de abril contra uma multidão reunida em frente a um centro de distribuição de carteiras de identidade, na capital Cabul, que matou e feriu 198 civis.

“Esses ataques em instalações eleitorais são nada menos que um ataque à democracia”, disse Tadamichi Yamamoto, representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão.

Ele ressaltou que os afegãos que estavam aparecendo para se registrar estavam “exercendo seu direito constitucional e colocando a esperança no futuro do Afeganistão acima das preocupações com sua segurança pessoal”.

Segundo o relatório da ONU, cerca de 75% dos incidentes de segurança ocorreram em escolas ou mesquitas, que estão sendo utilizados como instalações relacionadas às eleições, e descreve alegações de intimidação de funcionários e de pessoas que querem participar da votação.

Situação dos direitos humanos

O secretário-geral assistente da ONU para os Direitos Humanos, Andrew Gilmour, saudou o que ele chamou de “compromisso inegável” do governo afegão para melhorar o a “terrível situação de direitos humanos”.

Ele expressou, no entanto, preocupação com a falta de implementação em algumas áreas-chave; os constantes ataques contra civis, principalmente por extremistas; e a contínua discriminação contra as mulheres afegãs em todos os níveis da sociedade.

Durante sua visita de quatro dias, Gilmour representantes de alto nível do governo, membros da comunidade diplomática, organizações de mulheres, representantes da sociedade civil e as vítimas da violência e suas famílias.

Andrew reconheceu as medidas tomadas pelo governo em matéria de direitos humanos, em particular o novo Código Penal, que reforça a conformidade do Afeganistão com os padrões internacionais de direitos humanos.

A criminalização da tortura, da violência contra as mulheres e da bacha bazi – uma prática nociva que envolve o abuso de meninos – estabelece uma base sólida para garantir que os perpetradores sejam responsabilizados por esses abusos que persistem em todo o país.


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