Afeganistão: ONU alerta para novos deslocamentos de 8,5 mil famílias após acirramento do conflito

A contínua crise interna dificulta o retorno dos refugiados, que somam mais de 6 milhões desde 2002. Recentes bombardeios em Kunduz, cidade no nordeste do país, provocaram novos deslocamentos e deixaram o local completamente desprovido de assistência humanitária.

Pessoas internamente deslocadas em Kunduz, no Afeganistão, onde ataques aéreos atingiram um hospital da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras no sábado (3). Foto: OCHA / Mohammad Sadiq Zaheer

Pessoas internamente deslocadas em Kunduz, no Afeganistão, onde ataques aéreos atingiram um hospital da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras no sábado (3). Foto: OCHA / Mohammad Sadiq Zaheer

As Nações Unidas convocaram a comunidade internacional, nesta quarta-feira (7), a encontrar soluções para a situação do Afeganistão, onde conflitos armados têm provocado o deslocamento de milhares de pessoas. Em pronunciamento na véspera, o porta-voz do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, destacou que os recentes bombardeios em Kunduz, cidade no nordeste do país, deixaram o local completamente desprovido de assistência humanitária.

Em reunião para debater a crise dos refugiados afegãos, o alto-comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, ressaltou o histórico de fugas e deslocamentos da população do país. Segundo o dirigente, mais de 6 milhões já deixaram o Afeganistão desde 2002. Guterres elogiou as iniciativas do Paquistão e do Irã, que acolheram 95% do contingente de refugiados ao longo dos anos.

Atualmente, muitos cidadãos desejam retornar à nação. Em 2015, por exemplo, cerca de 54 mil voltaram ao país. No entanto, a contínua crise interna impõe dificuldades, tanto para os que chegam, quanto para os que já estão no Afeganistão.

O OCHA estima que cerca de 8,5 mil famílias foram deslocadas no nordeste do país por conta do recrudescimento dos conflitos armados. De acordo com Laerke, o hospital da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, bombardeado no sábado (3), era a única unidade médica da região e atendia a cerca de 300 mil pessoas em Kunduz.

A cidade é um dos muitos locais no país cujo acesso está restringido ou impedido pela guerra, uma vez que as estradas ou estão bloqueadas, ou foram bombardeadas, e o aeroporto está fechado para aeronaves civis. Laerke ressaltou que o atual cenário dificulta enormemente a ação das agências humanitárias.