Afeganistão: Missão da ONU condena atentados na província de Kunar, Parwan e Wardak

Neste mês, ONU informou que as hostilidades no país em 2015 deixaram mais de 3,5 mil civis mortos, incluindo um número sem precedentes de crianças – uma em cada quatro mortes.

Foto: UNAMA / Fardin Waezi

Foto: UNAMA / Fardin Waezi

Condenando um ataque suicida neste sábado (27) na província de Kunar, no leste do Afeganistão, que matou 11 civis e feriu mais de 30 outros, a Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNAMA) reiterou que o uso indiscriminado de explosivos em áreas civis é uma violação grave do direito internacional humanitário.

De acordo com a Missão, na cidade de Asadabad, na manhã deste sábado, um agressor suicida detonou um veículo cheio de explosivos na frente do escritório do governador provincial.

A Missão lembrou que todas as partes no conflito armado do Afeganistão são obrigadas a cumprir com suas obrigações legais em todos os momentos e evitar danos a civis. A Missão estendeu suas sinceras condolências às famílias dos mortos e uma rápida recuperação para os feridos. “A UNAMA, mais uma vez afirma que continua a apoiar o povo do Afeganistão”, disse o comunicado.

Na semana passada, outros dois incidentes foram relatados, desta vez contra instalações de saúde. Na ocasião, a Missão da ONU pediu a todas as partes que se abstenham de tornar hospitais, seus pacientes e profissionais alvos de ataques.

“Equipamentos médicos, pessoal médico e aqueles que estão recebendo tratamento por doenças ou devido ao conflito nunca devem ser colocados em risco, muito menos sujeitos a ataques”, disse Mark Bowden, coordenador humanitário da ONU e vice-representante especial secretário-geral para o Afeganistão, em um comunicado de imprensa.

“O trabalho que o pessoal humanitário e médico realiza não deve ser restringido, e todas as partes em conflito devem abster-se de ações que possam colocar essas pessoas ou instalações em risco”, acrescentou.

A UNAMA observou que no último dia 22 de fevereiro, no distrito de Sia Gird, na província de Parwan, um suicida que tinha como alvo as forças de segurança afegãs detonou um dispositivo explosivo improvisado próximo à entrada do posto de saúde do distrito, matando sete civis e ferindo outras sete pessoas.

Já no dia 18 de fevereiro, o Ministério de Forças Especiais do Interior afegão e militares internacionais realizaram uma operação conjunta na área do distrito de Daimirdad, na província de Wardak, e entraram em uma clínica de saúde do governo financiada pelo Comitê Sueco para o Afeganistão. O gerente do estabelecimento foi amarrado e outros profissionais da saúde detidos em uma sala. Logo depois, dois pacientes e um menino de 15 anos de idade que estava como visita foram levados para uma loja nas proximidades e sumariamente executados.

A UNAMA lembrou a todas as partes no conflito no Afeganistão sobre sua obrigação de respeitar a prestação de cuidados de saúde, não prejudicar o pessoal médico e pacientes, e garantir que o status de proteção de instalações médicas seja respeitado.

Número recorde de mortes em 2015

No último dia 14 de fevereiro, a ONU informou que as hostilidades no Afeganistão em 2015 deixaram mais de 3,5 mil civis mortos, incluindo um número sem precedentes de crianças – uma em cada quatro mortes. Além disso, cerca de 7,5 mil pessoas ficaram feridas, tornando este o maior número de vítimas civis já registradas pela Organização.

“Este relatório registra mais um aumento no número de civis feridos ou mortos. O prejuízo causado aos civis é totalmente inaceitável”, disse Nicholas Haysom, representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão e chefe da Missão de Assistência da ONU no país (UNAMA), em um comunicado de imprensa.

O relatório anual, produzido pela UNAMA em coordenação com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), mostra que o aumento dos combates em terra em áreas povoadas, juntamente com os ataques suicidas e outros atentados nas principais cidades, foram as principais causas de mortes e ferimentos de civis relacionadas com o conflito, em 2015.