Adolescentes reencontram mãe na Suíça oito anos depois de fugir da Eritreia

Em março de 2018, enquanto estavam em um centro de detenção na cidade líbia de Misrata, a épica tentativa dos irmãos eritreus Kedija*, de 15 anos, e de seu irmão Yonas, de 12, de se reunir com a mãe na Suíça depois de oito anos de separação tinha tudo para dar errado.

Os irmãos tinham sido forçados a fugir de sua terra natal, sobreviveram sozinhos em um campo de refugiados etíope, foram capturados por sequestradores e finalmente chegaram à Europa a bordo de um navio que atravessava o Mediterrâneo — apenas para serem interceptados e devolvidos à Líbia.

Mas graças à obstinação de sua mãe, Semira, a intervenção de governos e de agências humanitárias — e uma grande porção de sorte —, hoje as crianças estão na Suíça, nos braços de sua mãe mais uma vez. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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Em março de 2018, enquanto estavam em um centro de detenção na cidade líbia de Misrata, a épica tentativa dos irmãos eritreus Kedija*, de 15 anos, e de seu irmão Yonas, de 12, de se reunir com a mãe na Suíça depois de oito anos de separação tinha tudo para dar errado.

Os irmãos tinham sido forçados a fugir de sua terra natal, sobreviveram sozinhos em um campo de refugiados etíope, foram capturados por sequestradores e finalmente chegaram à Europa a bordo de um navio que atravessava o Mediterrâneo — apenas para serem interceptados e devolvidos à Líbia.

Mas graças à obstinação de sua mãe, Semira, a intervenção de governos e agências humanitárias — e uma grande porção de sorte —, hoje as crianças estão na Suíça, nos braços de sua mãe mais uma vez.

“Apesar de termos ficado separados por mais de oito anos, nunca perdi a esperança de me reunir novamente com meus filhos”, disse Semira, apertando-os com força, como se eles ainda pudessem desaparecer, com lágrimas de alegria e alívio percorrendo seu rosto sorridente.

Para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), tudo começou com uma ligação para a equipe da Líbia do Serviço Social Internacional — uma ONG suíça especializada em questões de proteção infantil —, a quem Semira contatou para obter ajuda.

Sabendo apenas que as crianças estavam sendo mantidas em algum lugar do país, e com apenas seus nomes e uma foto desatualizada para identificá-las, o pessoal do ACNUR e de ONGs parceiras começaram a vasculhar todos os centros de detenção a que eles tinham acesso.

Mas com uma estimativa de 3,8 mil refugiados e solicitantes de refúgio sendo mantidos em dezenas de centros de detenção oficiais em todo o país, e outros sendo capturados por grupos armados e traficantes de seres humanos, as chances de encontrá-los eram escassas.

Quando o assistente sênior de proteção do ACNUR Noor Elshin se deparou com duas crianças magras e pálidas no centro de detenção Karareem, em Misrata, elas pareciam tão diferentes dos rostos felizes e saudáveis da foto, que foi um choque saber que eles tinham realmente encontrado Kedija e Yonas.

“Foi como encontrar uma agulha no palheiro”, disse Noor. “Apesar de vê-los na minha frente, eu ainda não podia acreditar que nós realmente os encontramos”, declarou. Pouco depois, Semira recebeu a ligação pela qual ela estava rezando — seus filhos tinham sido encontrados.

A odisseia da família começou em 2010, quando Semira foi forçada a fugir da perseguição na Eritreia. Em vez de arrastar seus filhos para o desconhecido, ela tomou a difícil decisão de deixá-los com os avós enquanto procurava um refúgio seguro para a família.

Depois de cinco anos de relativa estabilidade, em 2015, Kedija e Yonas também foram forçados a fugir da insegurança em Eritreia e cruzar a fronteira para a Etiópia. Semira perdeu contato com eles por vários meses enquanto seu irmão, que também estava na Etiópia, procurava desesperadamente por sua sobrinha e sobrinho.

Ele eventualmente encontrou-os vivendo sozinhos em um campo de refugiados próximo à fronteira da Etiópia com a Eritreia e prometeu fazer tudo o que pudesse para reuni-los com sua mãe, que agora estava morando na Suíça.

Em meados de 2017, as crianças e seu tio partiram em sua perigosa e incerta jornada para encontrar Semira. O trio enfrentou altas temperaturas, sede e fome enquanto pediam caronas em caminhões e ônibus pela Etiópia e pelo Sudão, esforçando-se para chegar à costa sul do mar Mediterrâneo.

No entanto, os acontecimentos tomaram um rumo sombrio na fronteira do Sudão com a Líbia, onde o grupo foi violentamente sequestrado por contrabandistas, que descobriram que a mãe das crianças viviam na Suíça e exigiram resgate para libertá-los.

Como Semira era incapaz de atender às demandas financeiras dos criminosos, Kedija e Yonas foram separados de seu tio e vendidos para um contrabandista, ficando aterrorizados e mais vulneráveis do que nunca.

Várias semanas depois, eles foram inesperadamente libertados e deixados vagando perdidos e sozinhos no vasto deserto da Líbia. Foram descobertos e acolhidos por um grupo de eritreus, que também planejavam embarcar para a Europa, e prometeram levá-los com eles.

Quando o barco foi interceptado e as crianças devolvidas para a Líbia e detidas, eles puderam ligar para sua mãe. “Passei dias e noites rezando por eles, apesar de todos ao meu redor perderem as esperanças, até o dia em que ouvi a voz da minha filha pela primeira vez em vários meses”, lembrou Semira.

Depois que o ACNUR rastreou as crianças, o governo suíço concordou em conceder-lhes vistos humanitários para se juntarem à mãe. O ACNUR trabalhou com as autoridades da Líbia e da Tunísia para organizar a documentação necessária para a libertação e transporte de Kedija e Yonas para a Suíça através da Tunísia.

Na manhã que a equipe do ACNUR entrou no centro de detenção para levar as crianças em sua última viagem de volta para a mãe, a história delas era bem conhecida entre todos. Eles deixaram o centro com os cantos e torcidas alegres de seus companheiros eritreus.

Menos de 24 horas depois, após um pernoite em Túnis, onde a embaixada suíça lhes forneceu os documentos de viagem, Kedija e Yonas aterrissaram na Suíça, onde uma ansiosa e animada Semira esperava por eles.

Captando a primeira imagem de seus filhos cansados e desorientados no portão de desembarque do aeroporto, oito anos de preocupação e saudade desapareceram enquanto ela corria até eles e se enterrava em seus abraços em êxtase; seguros, felizes e reunidos, finalmente.

*Todos os nomes foram alterados para fins de proteção