Acusações de ‘feitiçaria’ são utilizadas para justificar violência contra mulheres mais velhas

Estudo realizado em 41 países pela ONU revela que esta prática continua vigente e aponta que viúvas anciãs são o grupo que corre o maior risco.

Mulheres no Quênia. Foto: IRIN

Mulheres no Quênia. Foto: IRIN

Ao longo da história, mulheres descritas como “bruxas” foram perseguidas, torturadas e assassinadas, uma prática que infelizmente continua existindo até hoje, segundo o relatório sobre o envelhecimento que será publicado pelo Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais (UNDESA).

As acusações de “feitiçaria” são utilizadas para justificar a violência extrema contra mulheres mais velhas, de acordo com relatos reunidos por organizações da sociedade civil em 41 países africanos e asiáticos, incluindo Burkina Faso, Camarões, Índia, Quênia, Malauí, Nepal e Tanzânia. As viúvas idosas são aquelas que, muitas vezes, correm o maior risco.

“As mulheres mais velhas sofrem mais riscos devido a atitudes e práticas discriminatórias generalizadas”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em sua mensagem no Dia Mundial da Conscientização contra o Abuso de Idosos, celebrado no último dia 15 de junho. “Apelo aos Estados-membros a promulgar e aplicar leis e estratégias mais fortes para lidar com todos os aspectos deste problema social, de saúde pública e direitos humanos.”

Um grupo de trabalho da ONU sobre o envelhecimento foi estabelecido pela Assembleia Geral com o objetivo de reforçar a proteção dos direitos humanos das pessoas mais velhas, mas especialistas em abuso de idosos têm enfatizado a necessidade de definir o que constitui abuso às mulheres mais velhas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos abusos contra idosos não são registrados. A incidência de abuso contra o segmento, no entanto, deverá aumentar ainda mais nos próximos anos, dado que muitos países estão experimentando um rápido envelhecimento de sua população.