Ações da sociedade civil são essenciais na resposta à pandemia de COVID-19, dizem especialistas

A mobilização e a atuação da sociedade civil têm se destacado como estratégia essencial para o combate dos efeitos da pandemia de COVID-19, não apenas na área sanitária, como também econômica, social e cultural.

A conclusão é de palestrantes reunidos online na quarta-feira (10) a convite do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em debate que abordou estratégias de mobilização social na resposta à doença.

Artesãos do Piauí produzem máscaras faciais para proteção contra o novo coronavírus. Foto: Luiz Carlos Vieira

Artesãs do Piauí produzem máscaras faciais para proteção contra o novo coronavírus. Foto: Luiz Carlos Vieira

A mobilização e a atuação da sociedade civil têm se destacado como estratégia essencial para o combate dos efeitos da pandemia de COVID-19, não apenas na área sanitária, como também econômica, social e cultural.

A conclusão é de palestrantes reunidos online na quarta-feira (10) a convite do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em debate que abordou estratégias de mobilização social na resposta à doença.

Segundo os participantes, esta atuação tem se mostrado fundamental especialmente para que grupos em maior situação de vulnerabilidade.

Os modos de engajamento têm sido diversificados, ocorrendo por meio de campanhas e parcerias para arrecadação de recursos ou por meio de articulação junto ao poder público.

Participaram do debate o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina; o coordenador geral da Rede Brasileira de População e Desenvolvimento – REBRAPD e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Richarlls Martins.

Também participaram das discussões a gestora da Mídia Ninja e ativista do Fora do Eixo, Dríade Aguiar; e a diretora associada do Programa de Saúde Comunitária e membro do Comitê Executivo para Ações de Hepatites Virais (CATIE/Canadá), Melisa Dickie.

Gonzalo Vecina lembrou que, no contexto de desigualdades, a COVID-19 afeta mais as populações vulneráveis, especialmente negros, mulheres, indígenas, pessoas LGBTs, quilombolas, migrantes, portadores de deficiência e idosos.

“Se fossemos um país mais igual, a epidemia seria muito menos importante e todos sofreriam menos”, afirmou. Ele lembrou que as medidas de isolamento social, para muitos grupos vulneráveis, é um grande desafio.

Para Richarlls Martins, a vulnerabilidade à doença não é democrática e não atinge todos os sujeitos da mesma maneira. “A exposição ao vírus é universal, mas os impactos dos processos de contágio e de letalidade são diferentes, denunciando os diferentes modos de nascer, viver e morrer.”

Segundo ele, as respostas e as estratégias sociais devem ser estruturadas a partir dos marcadores sociais de diferença, entre eles, gênero, raça, classe, sexualidade, escolaridade, território, deficiência e geração.

Martins questionou as formas com as quais essas questões atravessam nossas capacidades de atuação coletiva, considerando alguns eixos estruturantes da agenda de população e desenvolvimento.

“É possível reconhecer que diferentes grupos populacionais estão sendo deixados para trás na resposta à pandemia?”, questionou. Ele sugeriu a criação de um fórum com o objetivo de coordenar ações para garantir os direitos dos grupos populacionais mais vulneráveis em meio à pandemia.

Na opinião da gestora da Mídia Ninja e ativista do Fora do Eixo, Dríade Aguiar, a comunicação deve ser estratégia de mobilização social. “A Mídia Ninja está na linha de frente para diminuir a lacuna entre as respostas à pandemia e as pessoas mais vulneráveis; atua no combate a desinformação (…); e articula um espaço de trocas sobre tecnologias e formas de adaptação nesse novo contexto.”

Ela deu exemplos exemplos de como a desigualdade social vem agravando os impactos da COVID-19 entre grupos em situação de maior vulnerabilidades, como a população periférica, negra, indígenas e quilombolas. Segundo a ativista, os processos e as ferramentas de arrecadação coletiva têm se mostrado importantes para diminuir esses impactos.

Já Melisa Dickie deu exemplos de atuação da sociedade civil na pandemia. A CATIE trabalha construindo soluções com a própria comunidade, impulsionando a troca de experiências com autoridades de saúde e estudiosos.

Ela citou o caso de uma ação desenvolvida junto a tribos indígenas com indivíduos vivendo com HIV. Na ocasião, foram realizadas reuniões online para entender as necessidades dessa população em meio à pandemia e como ela teria acesso a medicamentos antirretrovirais. Desafios foram listados e alguns deles resolvidos, afirmou.

A cada semana, a série População e Desenvolvimento em Debate promovida por UNFPA e Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) realiza discussões entre membros de academia, governos e sociedade civil sobre temas emergentes na agenda de população e desenvolvimento.

Na próxima quarta-feira (17) o tema será “Migrantes e refugiados no contexto de distanciamento social”. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube: youtube.com/unfpabrasil.

Assista ao debate completo: