ACNUR traz história de criança-soldado que sobreviveu a ferimento grave e se afastou da guerrilha

Aos 19 anos, Elisa não se imagina em um acampamento guerrilheiro e já está cursando o primeiro ano da faculdade de Enfermagem.

Crianças correm felizes em uma vila na Colômbia. Relatório recente estima que cerca de 14.000 crianças estão envolvidas no conflito armado interno na Colômbia. (ACNUR)Elisa* nasceu e cresceu em um ambiente violento, rodeada por grupos armados ilegais. Aos 13 anos, seu pai foi assassinado. Logo após o episódio, Elisa decidiu se juntar a um grupo armado irregular, achando que teria um futuro melhor. Uma vez que as crianças são recrutadas, os grupos armados se transformam na única família que elas conhecem e, à medida que crescem, as crianças se envolvem na vida de combate, perpetuando uma guerra que dura mais de 40 anos na Colômbia.

Elisa ficou com os guerrilheiros durante um ano e dois meses. Neste tempo, foi responsável por limpeza, cozinha e transporte de armas e folha de coca. Ela diz que teve sorte e que foi bem tratada. Conta que outras meninas do grupo forma estupradas “O dia a dia do campo era difícil. Eu tinha que acordar muito cedo, às 4h30 da manhã, para buscar madeira, preparar o café da manhã e começar o turno, do dia ou da noite”, relembra Elisa.

Tudo mudou quando Elisa sofreu um ferimento grave e foi levada pelo Exército a um hospital local.  O diagnóstico foi pouco otimista: tudo indicava que ficaria paraplégica, e dali em diante teria que andar com ajuda de cadeira de rodas. “Era difícil passar tantas horas no hospital sem nenhuma perspectiva de melhora, pensando que não poderia mais andar”. Entretanto, a esperança voltou e sete meses após a lesão, Elisa voltou a dar os primeiros sinais de recuperação.

Logo a jovem reencontrou a família, com quem Elisa vive atualmente na companhia de outros jovens que abandonaram as guerrilhas. O governo dá um auxílio de cerca de 300 dólares (cerca de 546 reais) por mês para gastos de manutenção, principalmente os relacionados a educação. Aos 19 anos, Elisa mudou muito e hoje não consegue se imaginar em um acampamento guerrilheiro. A jovem sonha em ser enfermeira, e já está cursando o primeiro ano da faculdade de Enfermagem.

Segundo relatório divulgado recentemente pela ONG Tribunal Internacional para Infância Afetada por Guerra cerca de 14 mil crianças estão ligadas a conflitos armados internos na Colômbia. Elas são usadas como informantes, na instalação de minas terrestres, como escravas sexuais e para cultivos ilegais, que são uma fonte importante de financiamento das ações dos grupos ilegais. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) continua promovendo a criação de redes comunitárias seguras para garantir um ambiente de proteção saudável às crianças e aos adolescentes que vivem em contexto de violência.

*Nome fictício.