ACNUR: Taxa nutricional entre refugiados na Etiópia é 19% maior, mas mortalidade infantil na Somália segue alarmante

Agentes humanitários atendem famílias que estavam isoladas na Etiópia, mas ainda precisam de escolta na Somália, onde acesso é limitado.

Taxas nutricionais e de saúde deterioram para deslocados internos somalis afetados pela epidemia de fome, mas melhoraram para os que fugiram para a Etiópia, apontou na sexta-feira (16/09) o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Em Mogadíscio, capital da Somália, a incidência de diarreia e sarampo entre os deslocados continua preocupante e a taxa de mortalidade estimada entre as crianças com menos de cinco anos segue alarmante, com 15,43 mortos a cada dez mil por dia. O acesso aos campos de deslocados melhorou desde que os militantes da Al-Shabaab deixaram a cidade e o ACNUR visitou mais de 180 acampamentos improvisados para distribuir ajuda emergencial. Entretanto, os agentes humanitários ainda precisam de escolta para circular em muitos lugares.

As condições de abrigo melhoraram nos acampamentos de Tarbuush e Al Adala, onde os deslocados podem usar novos conjuntos de cozinha para preparar os alimentos que receberam. Cobertores e colchonetes foram imediatamente colocados em uso.

ACNUR e seus parceiros fizeram progressos no fornecimento de serviços de saúde e nutricionais para dezenas de milhares de refugiados somalis em Dollo Ado, na Etiópia. A campanha de vacinação contra o sarampo, finalizada há duas semanas, levou a uma forte queda no número de casos e de mortes. Equipes móveis de saúde estão chegando a muitas famílias que não tinham acesso a serviços médicos.

Quando o campo de Hilaweyn foi aberto há seis semanas, a taxa de desnutrição entre os refugiados menores de 18 anos era de 66%. Atualmente é de 47%. Pelos campos de Dollo Ado, a taxa está em torno de 35% porque os programas nutricionais para crianças alcançaram os mais vulneráveis. O ACNUR continua desenvolvendo estes programas porque a taxa de desnutrição continua alta, especialmente entre as crianças com menos de dois anos.

Baseando-se nas lições aprendidas com a epidemia de fome de 1992 quando as taxas de mortalidade infantil aumentaram consideravelmente durante o mês de outubro na Somália, época de chuvas e temperaturas mais frias, o ACNUR e o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) estão distribuindo 60 mil cobertores na região de Mogadíscio. O ACNUR também está preparando abrigos transitórios e adquirindo lonas plásticas gigantes.