Sírios enfrentam desespero e perigos na tentativa de chegar à Grécia, diz ACNUR

Para aqueles que conseguem chegar até a Grécia, depois de fugir de perseguições e violência em lugares como a Síria, Afeganistão, Somália e Iraque, a vida não é fácil. Conheça a história de um deles, em um depoimento colhido pelo ACNUR.

Um homem sírio observa um barco indo ao alto mar, saindo de Izmir, na costa do Mar Egeu da Turquia. A cidade tornou-se um ponto de partida para aqueles que cruzam para a Grécia. Foto: ACNUR Grécia

Um homem sírio observa um barco indo ao alto mar, saindo de Izmir, na costa do Mar Egeu da Turquia. A cidade tornou-se um ponto de partida para aqueles que cruzam para a Grécia. Foto: ACNUR Grécia

Cada refugiado possui uma história diferente para contar. Ahmed* conta que tentou chegar à Grécia a noite pela Turquia em um barco que transportava 34 outros refugiados sírios, incluindo quatro pequenas crianças e dois deficientes. De repente, em meio à escuridão, um navio da guarda costeira grega apareceu e homens mascarados embarcaram em seu barco, removeram o motor e o jogaram no mar. Quando Ahmed e alguns outros sírios tentaram subir no barco da guarda costeira, eles foram espancados.

“Dissemos a eles que éramos sírios, que se eles nos enviarem de volta, morreremos lá. Eles responderam,  ‘morram, mas não venham para aqui'”, lembra ele. Ninguém na sala pareceu horrorizado ou mesmo surpreso. E os outros riram de Ahmed ao contar como sua cabeça estava tão inchada da surra que mais tarde ele foi hospitalizado.

Isso foi depois que o barco de Ahmed ter sido rebocado para águas turcas, onde foram deixados à deriva até serem encontrados pela guarda costeira turca. Era a terceira tentativa de Ahmed para chegar à Grécia pela Turquia. Em maio, ele atravessou o rio Evros com dois amigos e chegou à cidade de Orestiada antes de ser preso enquanto comprava bilhetes de trem para Atenas. Os três foram detidos brevemente e enviados de volta através do rio para a Turquia.

Sua segunda tentativa, alguns dias depois, foi abandonada porque o rio estava muito alto e perigoso para atravessar. Em junho, ele fez uma quarta tentativa em um barco com destino à ilha grega de Samos. Desta vez, a guarda costeira grega apanhou-os e levou-os para Samos, conseguindo tratamento hospitalar para dois sírios doentes a bordo.

Mas,. para aqueles que conseguem chegar até a Grécia, depois de fugir de perseguições e violência em lugares como a Síria, Afeganistão, Somália e Iraque, a vida é dura. Os oito homens que vivem no pequeno quarto no subsolo de Atenas chegaram a pagar 400 euros por mês e dormem em colchonetes. Ninguém tem emprego fixo e eles não sabem como vão pagar o aluguel do próximo mês. Nenhum deles tem a intenção de permanecer na Grécia. Muitos planejam ir para países como Alemanha e Suécia. Mas o caminho adiante traz muitos obstáculos.

Sem final à vista para a crise síria, e com poucas formas legais disponíveis de se entrar na Europa, mais e mais pessoas vão continuar realizando a perigosa viagem através do mar da Turquia para à Grécia ou da África do Norte até o sul da Europa em busca de estabilidade, segurança, reunião da família e uma oportunidade para apoiar os membros da família na volta para casa.

*Nomes alterados por motivos de proteção.