ACNUR se prepara para realocar quase 63 mil refugiados do acampamento de Yida no Sudão do Sul

Em decorrência da proximidade com uma zona de conflitos entre o Governo e rebeldes, o ACNUR e a Missão da ONU sobrevoaram a região em busca de áreas alternativas.

Refugiados sudaneses no assentamento de Yida. ACNUR / K. MahoneyO Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) anunciou na sexta-feira (2) que está se preparando para realocar quase 63 mil pessoas que vivem no campo Yida, no Sudão do Sul, onde a proximidade com a fronteira da província sudanesa de Kordofan do Sul, zona de confronto entre o Governo e um grupo rebelde, coloca em risco a vida dos refugiados.

“Estamos atualmente avaliando vários locais alternativos, com vista à realocação das pessoas assim que as condições da estação das chuvas permitir”, disse o Porta-Voz do ACNUR, Adrian Edwards.

Na quinta-feira (1), o ACNUR e a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) realizaram uma missão conjunta de helicóptero para explorar a adequação e acessibilidade dos potenciais locais de realojamento oferecidos pelo Governo do Sudão do Sul. Esta semana, técnicos são esperados para projetar novos locais que poderão abrigar não apenas os refugiados atuais de Yida, mas também novos fluxos de pessoas.

Desde setembro, milhares de pessoas foram levadas a fugir de Kordofan do Sul para Yida por conta dos combates entre as Forças Armadas do Sudão e o Exército de Liberação do Povo do Sudão (SPLA-Norte). No entanto, a proximidade da cidade com o conflito significa que os refugiados ainda estão em risco, com a presença recorrente de pessoal armado em torno do acampamento.

A situação é particularmente preocupante em razão de quase 70% dos refugiados de Yida terem menos de 18 anos. “O ACNUR e seus parceiros criaram sete comitês de proteção à criança com a comunidade de refugiados”, observou Edwards. “Quando as crianças chegam por conta própria, nós asseguramos que elas se unam rapidamente com parentes que já se estabeleceram em Yida ou sejam entregues a um orfanato para torná-las menos vulneráveis”.