ACNUR realoca 15 mil refugiados sul-sudaneses na Etiópia

Primeiro grupo de refugiados sul-sudaneses parte para o campo de Pugnido. Foto: ACNUR / C. Tijerna

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) já começou o processo de realocação de aproximadamente 15 mil refugiados do Sudão do Sul. Desde agosto eles estão se abrigando na Estação de Matar Way desde que o campo de refugiados em que viviam, no oeste da Etiópia, foi alagado.

O ACNUR disse em um comunicado de imprensa na última terça-feira (18) que o primeiro grupo, de 125 pessoas, já deixou a estação e parte de barco, ao longo do rio Baro, para o Centro de Trânsito Itang, onde pernoitarão antes de tomar a estrada rumo ao campo de refugiados de Pugnido, que fica a cerca de 300 quilômetros de distância.

A expectativa é de que os refugiados cheguem ao campo, que já abriga aproximadamente 45 mil refugiados do Sudão do Sul, em dois dias de viagem. Segundo o ACNUR, 29 refugiados com necessidades especiais, incluindo mulheres grávidas e lactantes, pessoas cegas e mais velhas, serão levados de helicóptero para o acampamento.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) fretou dois barcos para a viagem, um para passageiros e outra para as bagagens. Os refugiados receberam água, biscoitos com altas calorias e outros itens básicos, como cobertores e coletes salva-vidas para embarcar.

Ao iniciar a viagem de helicóptero para Pugnido, a refugiada Nyapal, de 26 anos de idade, disse: “Eu estou contente que nós estamos deixando este lugar. Eu nunca fui feliz aqui. Agora eu posso sorrir novamente”. Nyapal, grávida de seu primeiro filho, fugiu da violência no Sudão do Sul.

O representante do ACNUR na Etiópia, Valentin Tapsoba, esteve presente no lançamento da operação e agradeceu ao governo e ao povo da Etiópia pela acolhida dos refugiados e pelo fornecimento de recursos.

Segundo o ACNUR, cerca de cem refugiados continuam a atravessar para a Etiópia a cada dia. Os recém-chegados dizem que a escassez de alimentos, a insegurança e os combates entre facções rivais são as principais razões de fuga.

A Etiópia é atualmente o maior país de acolhimento de refugiados da África, com mais de 600 mil pessoas. O ACNUR está trabalhando com o governo da Etiópia para encontrar espaço para realocar os 50 mil refugiados afetados pela enchente no campo em que viviam.