ACNUR presta assistência a iraquianos que estão voltando para o oeste de Mossul

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Até agora, 79 mil pessoas retornaram à região oeste de Mossul, de acordo com dados do governo iraquiano. Desde o fim das operações militares na região, o organismo internacional e seus parceiros têm distribuído kits de abrigo para mais de 3,2 mil famílias nas áreas oriental e ocidental da cidade.

Um garoto passa por causas devastadas pela guerra em Al-Resala, bairro no oeste de Mossul, no Iraque. Foto: ACNUR/Cengiz Yar

Um garoto passa por causas devastadas pela guerra em Al-Resala, bairro no oeste de Mossul, no Iraque. Foto: ACNUR/Cengiz Yar

A iraquiana Um Ahmed e dezesseis parentes vivem em meio às ruínas de seu lar, um sobrado em Al-Resala, bairro no oeste de Mossul. Apesar da destruição, ela se sente sortuda por sua casa ainda estar de pé, enquanto tantas outras foram ao chão.

Em março, no início dos confrontos pelo domínio da segunda maior cidade do Iraque, Um Ahmed, de 35 anos, passou dez dias confinada no porão de sua casa com familiares e outras 40 pessoas. Úmido e abafado, o cômodo só tinha uma pequena janela para ventilação. O local ficou contaminado com o odor de pessoas amontoadas, ela lembra.

Durante uma trégua do conflito, a iraquiana se deslocou com seu marido Shehab, de 42 anos, e seus filhos para um campo de refugiados do governo em Jadaa, a 50 quilômetros da cidade. Horas depois, um míssil atingiu sua casa.

O calor e a poeira do acampamento trouxeram mais do que simples desconforto para o marido, que tem problemas cardíacos e sofre de epilepsia. Em 10 de julho, um dia após o governo iraquiano declarar o fim do conflito, a família retornou para sua casa para avaliar os danos sofridos ao longo dos quatro meses vivendo no campo.

“Voltamos para Mossul porque foi muito difícil para meu marido ficar em uma tenda com tantos problemas de saúde”, explicou Um Ahmed. “Também tínhamos medo de perder nossa casa.”

Ao voltarem, depararam-se com uma cena de completa destruição, com a frente da casa reduzida em ruínas. Após abrir caminho em meio aos destroços, conseguiram encontrar seus pertences. Os escombros impediram a entrada de saqueadores.

Apesar da felicidade de estar em casa, a vida continua difícil para a família, já que cada dia é uma luta para buscar o básico para a sobrevivência. A eletricidade é cara e normalmente está disponível apenas oito horas por dia. A água potável é entregue por um caminhão e armazenada em tanques, enquanto a água para limpeza é coletada em uma fonte em um barril, que é empurrado até a residência. Um Ahmed e sua irmã confeccionam vestidos para obter algum dinheiro.

Até agora, 79 mil pessoas retornaram à região oeste de Mossul, de acordo com dados do governo — o equivalente a 10% do total de pessoas forçadas a se deslocar da cidade. Já no leste, a situação é bem diferente — cerca de 90% dos que saíram da porção oriental da cidade retornaram, já que a região sofreu danos consideravelmente menores.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem aumentado as ações de assistência às famílias iraquianas em Mossul, incluindo as que retornaram recentemente. O relatório de operação da agência revela que a população precisa de todos os tipos de auxílio possíveis, apesar de a questão da moradia permanecer a mais urgente e grave, especialmente no oeste.

“Famílias que retornaram também encontram desafios no acesso a serviços básicos – como a água, eletricidade e combustível, que podem ser difíceis de encontrar e caros em áreas da cidade”, explicou o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic. Desde o fim das operações militares no oeste de Mossul, o organismo internacional e seus parceiros têm distribuído kits de abrigo para mais de 3,2 mil famílias nas áreas oriental e ocidental da cidade.

Mahecic acrescentou que os pacotes incluem kits de isolamento térmico, o que garante que famílias como a de Um Ahmed façam pequenos reparos em construções parcialmente danificadas ou inacabadas, para que possam viver nelas. O plano é distribuir, até o final do ano, suprimentos para até 36 mil famílias.

O ACNUR também conta com um programa de assistência financeira para as famílias iraquianas mais vulneráveis, que recebem a quantia de 400 dólares —cerca de 486 mil dinares iraquianos. Alguns dos beneficiários recebem o valor por até três meses, o que os ajuda a pagar pagar o aluguel e necessidades básicas.

Enquanto a vida retorna aos poucos à velha cidade, Um Ahmed e Shehab sabem que ainda faltam muitos anos até que a situação se normalize. “O futuro está nas mãos de Alá, mas não deveríamos nunca perder as esperanças”, conta o iraquiano. A fadiga dos últimos meses está nos traços do seu rosto. “Não são os anos que nos envelheceram e sim, as coisas que vimos.”


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