ACNUR mostra histórias de congoleses que acolhem refugiados da República Centro-Africana

“Somos congoleses. Nós sempre oferecemos abrigo a alguém que teve que fugir”, disse Ngeki, que assim como muitas outras pessoas em Zongo, compartilha sua casa com os refugiados e fornece acesso a serviços fundamentais, como atendimento médico e educação.

Josephine Servis (à direita) fugiu da violencia na República Centro Africana. Ela está hospedada na casa de Blandine Ngeki (à esquerda), na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/C.Delfosse

Josephine Servis (à direita) fugiu da violencia na República Centro Africana. Ela está hospedada na casa de Blandine Ngeki (à esquerda), na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/C.Delfosse

Quando a mãe congolesa Blandine Ngeki fugiu para salvar sua vida, atravessando o rio Ubangi, em 1999, ela foi acolhida por Josephine Servis e sua família na República Centro-Africana. Agora é hora de Ngeki retribuir a hospitalidade.

Expulsa da capital da República Centro-Africana (RCA), Bangui, após ter sua casa incendiada no ano passado, a família Servis navegou à beira rio de canoa para Zongo, na República Democrática do Congo (RDC), onde Ngeki abriu sua pequena casa de telhado de zinco para todos eles.

“Somos congoleses. Nós sempre oferecemos abrigo a alguém que teve que fugir”, disse Ngeki, que assim como muitas outras pessoas em Zongo, compartilha sua casa com os refugiados e fornece acesso a serviços fundamentais, como atendimento médico e educação.

Desde 2013, quando grupos rebeldes derrubaram o presidente François Bozizé, cerca de 110 mil pessoas fugiram da guerra da RCA e procuraram abrigo na RDC, principalmente ao longo do rio Ubangi, que constitui a fronteira entre os dois países. A maioria deles vive em campos de refugiados, mas cerca de um terço dos refugiados convive com a população local.

Além de ter abrigado Servis e sua família, Ngeki está cuidando de três crianças órfãs. Enquanto isso, uma vizinha, Mariam Youssef, cuida de duas crianças da RCA, um menino de um ano de idade e uma menina de três anos. Eles foram deixados aos seus cuidados pela própria mãe, que voltou para recuperar alguns pertences em Bangui, onde a aparente calmaria tem sido interrompida por confrontos periódicos entre grupos rebeldes e forças governamentais.

Crianças estudam na sala de aula da escola primária Mohammad, em Zongo, onde metade dos estudantes são da República Centro Africana (RCA). Foto: ACNUR/C.Delfosse

Crianças estudam na sala de aula da escola primária Mohammad, em Zongo, onde metade dos estudantes são da República Centro Africana (RCA). Foto: ACNUR/C.Delfosse

O caso de Zongo está longe de ser único. Há muitas outras comunidades ao longo do rio Ubangi onde os residentes congoleses estão oferecendo abrigo e apoio continuamente aos refugiados da RCA, dois quais um terço do total chegou ao longo do ano passado.

O número de recém-chegados já supera o da população local em alguns lugares, especialmente em zonas remotas que têm apenas algumas escolas ou postos de saúde. O ACNUR tem realojado alguns dos refugiados das zonas fronteiriças para um dos cinco campos de refugiados no norte da RDC.

“O apoio demonstrado pelos congoleses com seus vizinhos da RCA é exemplar. Devemos lembrar que esta é uma das regiões mais pobres da África subsaariana. Muitos daqueles que hospedam aos refugiados da RCA já vivem abaixo da linha da pobreza”, disse o representante regional para a África Central do ACNUR, Stefano Severe.

Enquanto a ajuda financeira da Agência de Refugiados para RCA é escassa, “o ACNUR está fazendo seu melhor para ajudar as comunidades locais que vivenciam esta situação, incluindo as comunidades próximas da fronteira e ao lado dos campos de refugiados”, disse o representante.

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