ACNUR lança campanha de arrecadação aberta ao setor privado para levar abrigo a 2 milhões de pessoas

Déficit de meio bilhão de dólares no orçamento da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) coloca em risco assistência para deslocados. Todos os anos, o organismo adquire 70 mil tendas e mais de 2 milhões de lonas, além de ajudar refugiados com renda para aluguel. Operações de 2016 devem custar US$ 724 milhões.

Jacqueline estava grávida quando fugiu para o Burundi. Ela, seu marido Joseph, e seus dois filhos encontraram segurança e abrigo no campo de Nduta, na Tanzânia. Foto: ACNUR / Sebastian Rich

Jacqueline estava grávida quando fugiu para o Burundi. Ela, seu marido Joseph, e seus dois filhos encontraram segurança e abrigo no campo de Nduta, na Tanzânia. Foto: ACNUR / Sebastian Rich

Operações da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para levar abrigo a populações deslocadas estão ameaçadas por um déficit de financiamento de cerca de meio bilhão de dólares. Em resposta à falta de recursos, o organismo lançou nesta semana (18) uma campanha para arrecadar fundos do setor privado e fornecer habitação para 2 milhões de refugiados.

Com a iniciativa “Nobody Left Outside” (Ninguém do lado de fora, em tradução livre), o ACNUR esperar angariar recursos de indivíduos, empresas, fundações e filantropos para atender a pouco mais de um décimo das pessoas sob seu mandato até 2018.

Todos os anos, a agência da ONU adquire 70 mil tendas e mais de 2 milhões de lonas que se tornaram símbolo da resposta às emergências humanitárias. Fora dos campos, o ACNUR também auxilia refugiados a encontrar alojamento e pagar alugueis em cidades de dezenas de países que fazem fronteira com zonas de conflito.

Foto: ACNUR / J. Kohler

Foto: ACNUR / J. Kohler

Estimativas indicam que estas operações custem 724 milhões de dólares em 2016. No entanto, apenas 158 milhões estão disponíveis atualmente. Regiões que mais necessitam assistência são a África subsaariana — 255 milhões de dólares necessários, mas 48 milhões angariados — e o Oriente Médio e Norte da África — do orçamento de 373 milhões de dólares solicitados, apenas 91 milhões foram liberados.

A Ásia exige 59 milhões — mas teve apenas 8 milhões disponibilizados — e a Europa também requer significativamente mais ajuda — 36 milhões de dólares necessários, 10 milhões disponíveis — uma vez que enfrenta um fluxo contínuo de refugiados.

Sem aumentos no financiamento e apoio global, milhões de pessoas que fogem da guerra e da perseguição não terão acesso a moradia ou viverão em habitações inadequadas em países como Líbano, México e Tanzânia.

O setor privado é uma fonte de doadores cada vez mais importante para o ACNUR e, em 2015, contribuiu com mais de 8% dos fundos globais da organização.

ACNUR respondeu rapidamente à crise no Equador provocada pelo terremoto que atingiu o país em meados de abril, levando abrigo para milhares de deslocados. Foto: ACNUR / Santiago Arcos

ACNUR respondeu rapidamente à crise no Equador provocada pelo terremoto que atingiu o país em meados de abril, levando abrigo para milhares de deslocados. Foto: ACNUR / Santiago Arcos

“O abrigo é fundamental para que refugiados possam sobreviver e se recuperar e deve ser considerado um direito humano inegociável”, afirmou o alto Comissariado da ONU para os refugiados, Filippo Grandi. “À medida que enfrentamos deslocamento em todo o mundo em um nível nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial, nenhum refugiado deve ser deixado de fora.”

“O setor privado desempenha um papel importante com o seu know how, vigor e dinheiro, o que permite agir com solidariedade nas situações refugiados que passaram por guerra e perseguição necessitam de abrigo.”