ACNUR lamenta morte de funcionário no leste do Congo

Combates entre tropas do governo e soldados leais ao ex-comandante Bosco Ntaganda vêm causando deslocamentos e obrigando congoleses a irem para Uganda e Ruanda.

Pessoas deslocadas internamente na região de Rutshuru, no Kivu do Norte, República Democrática do Congo. Rocky trabalhava para ACNUR nesta zona como assistente de segurança no campo. Foto: MONUC/ Marie Frechon

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres lamentou, nesta segunda-feira (21/05), a morte de um funcionário da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em Goma, leste da República Democrática do Congo (RDC). Rocky Makabuza morreu no sábado (19/5) na capital do Norte Kivu após um ataque armado a sua casa, na noite de sexta-feira. Ele foi ferido no estômago por tiros e não resistiu.

“Lamento a morte de um colega e ofereço as minhas sinceras condolências à sua família. Não sabemos quem é o responsável pela morte de Rocky ou porque eles o atacaram. Espero que as autoridades façam o seu melhor para investigar o incidente e levar os responsáveis à justiça”, afirmou Guterres.

A morte de Rocky ocorreu durante um período de crescente instabilidade no Kivu do Norte, onde lutas, nessas semanas, entre tropas do governo e soldados leais ao ex-comandante Bosco Ntaganda vêm causando deslocamentos e obrigando congoleses a irem para Uganda e Ruanda. Funcionários do ACNUR em Ruanda reportaram na semana passada que, desde o dia 27 de abril, mais de 8.200 refugiados cruzaram a fronteira, vindos do Norte Kivu, em direção do centro de trânsito de Nkamira, a 20 quilômetros da travessia Goma-Gisenyi. Esse número se acrescenta aos 55 mil refugiados do Congo que estão hospedados em Ruanda. “O volume dos deslocamentos que vemos no leste da RDC é desastroso”, disse o Alto Comissário.

Já em Uganda, oficiais do governo disseram que 30 mil refugiados cruzaram a fronteira para fugir das lutas, que se intensificaram no dia 10 de maio.

Desde novembro de 2011, quando ocorreram eleições presidenciais e parlamentares na RDC, uma estimativa de 300 mil pessoas se deslocaram nas províncias do Kivu do Norte e do Sul e mais de um milhão deixaram suas casas durante as ondas de violência. No total mais de 2 milhões de pessoas estão desprotegidas de acordo com as estimativas das Nações Unidas.