ACNUR: Iraquianos fogem de regiões em guerra e encontram abrigo em resort de luxo abandonado

Hotel na cidade de Habbaniyah chegou a ser considerado o maior resort de todo o Oriente Médio. Atualmente, o local abriga cerca de 400 famílias deslocadas pela guerra, que não têm acesso a saneamento, comida, energia elétrica e água encanada.

Famílias deslocadas se aglomeram na entrada do resort em Habbaniyah. Foto: ACNUR / C. Gluck

Famílias deslocadas se aglomeram na entrada do resort em Habbaniyah. Foto: ACNUR / C. Gluck

Em Habbaniyah, cidade turística do Iraque, cerca de 400 famílias deslocadas encontram abrigo em um resort de luxo abandonado. O hotel, que já foi um símbolo da indústria turística iraquiana, agora é uma moradia provisória e precária para pessoas que fugiram da violência na província de Anbar.

Apesar de estarem longe dos conflitos, os mais novos residentes do local enfrentam falta de água encanada, de energia elétrica, de comida e de saneamento básico no que já foram instalações suntuosas para viajantes do mundo e de todo o Oriente Médio.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) acredita que o lugar é inseguro e insalubre, com alto risco de surtos de doenças. De acordo com uma avaliação feita pelas autoridades locais, o prédio do resort corre o risco de desabamento devido à estrutura enfraquecida, uma vez que as reformas necessárias foram interrompidas em 2013, por conta do aumento da violência do Iraque.

Em vez de turistas, o hotel começou a receber indivíduos deslocados, vindos de Fallujah e Ramadi, em busca de segurança.

Em resposta à situação de risco enfrentada pelos habitantes do resort, o ACNUR está construindo abrigos mais fortes nas proximidades, para realocar as famílias. O prazo para o término das obras é estimado em cerca de um mês. Haverá instalações sanitárias adequadas e cozinhas comunitárias.

“Não há água aqui e todos os meus filhos começaram a contrair doenças de pele”, conta Asma Margab, de 34 anos, mãe de três filhos que fugiu para Habbaniyah há mais de dois anos, quando sua casa em Fallujah foi alvo de artilharia. “É um bom ambiente apenas para a criação de germes.”

Segundo Haqi Nasser, de 35 anos, “todas as famílias deslocadas aqui precisam de ajuda”. “Estamos todos sofrendo aqui no hotel. Alguns podem até almoçar, mas não há dinheiro para o jantar. Ou se eles têm o jantar, não há nada para o café da manhã. Precisamos de ajuda e queremos, acima de tudo, a paz para que possamos voltar para nossas casas”, disse o iraquiano, que tem três filhos e não consegue encontrar trabalho na região.

Próximos ao hotel, outros grupos de indivíduos deslocados estão abrigados em tendas, muitas delas providenciadas pelo ACNUR. Além de 700 barracas, a agência conseguiu oferecer a milhares de pessoas kits para o inverno, querosene e bens de primeira necessidade.