ACNUR: Famílias fogem de Faluja, após meses de violência perpetrada por milícias

“No ACNUR, nós temos duas preocupações principais. Primeiro, que pessoas deslocadas possam acessar lugares seguros. Segundo, que estas recebam assistência suficiente para que eles se estabeleçam e criem uma família em sua nova localização”, afirmou funcionário do ACNUR.

Sentada em sua tenda no campo para deslocados internos iraquianos em Dhuha al-Rawii, em Bagdá, Rasmiyya, de 65 anos, chora ao se lembrar do episódio que feriu sua perna. Foto: ACNUR/Ed Ou

Sentada em sua tenda no campo para deslocados internos iraquianos em Dhuha al-Rawii, em Bagdá, Rasmiyya, de 65 anos, chora ao se lembrar do episódio que feriu sua perna. Foto: ACNUR/Ed Ou

Rasmyya, 65 anos, disse que sabia que teria que escapar de Faluja, ao oeste de Badgá, após a operação para amputar sua perna direita. Os meses de bombardeios do governo iraquiano, que tinham como alvo os militantes, transformaram uma jornada de 15 minutos ao consultório médico em um uma viagem de ameaça vital. Sem as consultas rotineiras para regular sua diabetes, a doença corroeu os vasos sanguíneos da perna de Rasmiyya e o membro teve que ser removido cirurgicamente.

Com a piora de sua condição médica, seu filho Khudayir tentou encontrar maneiras de fazer com que ela pudesse passar pelos postos de controle dos militantes e sair da cidade. Mas, com o aumento da violência, militantes fecharam as estradas principais que levavam para fora da cidade, impedindo a fuga dos civis.

Enquanto uma parte de Faluja tem estado sob o comando de milícias por mais de um ano, aumentaram os confrontos seguidos pelo lançamento de uma ofensiva do governo iraquiano na região, forçando – desde abril – mais de 250 mil civis a atravessar a província de Anbar e deixar suas casas. Desde o inicio da crise, no início do ano passado, mais de um milhão de iraquianos de Anbar foram deslocados.  Destes, aproximadamente 350 mil estão na província de Bagdá.

Khudayir explicou que os militantes fizeram uma exceção para sua mãe por causa de suas condições médicas. Os militantes me disseram “leve sua mãe, mulher e filhos, mas você deve retornar”. Khudayir pagou ao grupo de militantes um milhão de dinares iraquianos, ou aproximadamente 900 dólares pela travessia de sua família e como garantia que ele voltaria. Mas Khudayir explicou que como único membro masculino da família com sua mulher, mãe e filhos em Bagdá, ele se sentiu obrigado a ficar.

A família de Khudayir está atualmente abrigada em Dhuha al Rawii, um pequeno acampamento de 175 famílias. A agência da ONU para os refugiados (ACNUR) forneceu a estas e milhares de outras famílias, que recentemente fugiram de Anbar, abrigo e suprimentos tais como colchões, cobertores e latas de plástico para armazenamento de água e combustível.

“No ACNUR, nós temos duas preocupações principais. Primeiro, que pessoas deslocadas possam acessar lugares seguros. Segundo, que estas recebam assistência suficiente para que eles se estabeleçam e criem uma família em sua nova localização”, disse Bruno Geddo, funcionário do ACNUR.

Leia o artigo na íntegra em: http://bit.ly/1JPhwuC