ACNUR expressa preocupação com viagens em embarcações precárias de refugiados rohingya

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Mais de 30 botes improvisados chegaram a Bangladesh na segunda semana de novembro, trazendo, em condições precárias, cerca de mil indivíduos. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou preocupação com o número cada vez maior de pessoas que se arriscam para fugir de Mianmar, país vizinho e ponto de partida de milhares de rohingyas, um grupo étnico e religioso ameaçado por perseguições.

Botes feitos com bambus e galões de água levam rohingyas para Bangladesh. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Botes feitos com bambus e galões de água levam rohingyas para Bangladesh. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Mais de 30 botes improvisados chegaram a Bangladesh na segunda semana de novembro, trazendo, em condições precárias, cerca de mil indivíduos. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou preocupação com o número cada vez maior de pessoas que se arriscam para fugir de Mianmar, país vizinho e ponto de partida de milhares de rohingyas, um grupo étnico e religioso ameaçado por perseguições.

“Sabe-se que mais de 200 refugiados rohingya se afogaram em naufrágios e incidentes em barcos desde o início da crise, em 25 de agosto”, afirmou o porta-voz do ACNUR, William Spindler. “Os recém-chegados nos disseram que haviam esperado durante mais de um mês na costa de Mianmar, sob condições desesperadoras, (eles) dizem que a comida e a água estão acabando.”

Sem recursos para custear um transporte seguro e cruzar o rio Naf, que faz fronteira com Bangladesh, os refugiados constroem balsas com qualquer material que podem encontrar, como varas de bambu e galões de água amarrados com cordas e cobertos com lonas de plástico, explicou o representante do organismo internacional.

Cerca de 620 mil refugiados rohingya foram forçados a deixar Mianmar desde 25 de agosto.

“Existe uma necessidade urgente de mais terreno e mais espaço para alojamento e infraestrutura, a fim de proporcionar serviços e ajuda de primeira necessidade, incluindo pontos de fornecimento de água, vasos sanitários, áreas para banho, espaços para as crianças, locais seguros para mulheres e meninas, centros comunitários”, completou Spindler.

A superlotação e as difíceis condições de vida nos acampamentos e lugares improvisados aumentaram riscos associados a problemas de saneamento, bem como agravam as chances de incêndios. Outras ameaças identificadas pelo ACNUR nos campos são o recrudescimento da violência e do tráfico.

O organismo internacional já entregou centenas de milhares de itens de ajuda, como tendas, lonas, mantas, colchonetes, mosquiteiros, jogos de cozinha, baldes e galões de água.

Em depoimento ao ACNUR, em Cox’s Bazar, Bangladesh, cerca de 70 famílias informaram à agência que deixaram Mianmar devido a práticas de extorsão e de assédio no estado de Rakhine.

Um homem contou que homens uniformizados ameaçaram tomar seus pertences. “Meu tio e meu avô se recusaram a dar seus pertences, fazendo com que fossem presos”, afirmou. “Minha família e eu deixamos o país para não acabar na cadeia.”

A família caminhou por uma zona montanhosa para chegar à ilha Dong Khali Chor. De lá, continuaram a viagem para Bangladesh. Durante o trajeto, foram detidos numa zona de controle militar. “Levaram tudo. Fomos apenas com a roupa do corpo”, acrescentou o rohingya.

Sidiq Ahmad, outro refugiado, disse que ele e sua família de sete pessoas ficaram abandonados em Dong Khali Chor por mais de 30 dias, incapazes de pagar a tarifa do bote para Bangladesh. Conforme a demanda por embarcações aumenta, os responsáveis pelas embarcações elevam os preços, que chegam até 10 mil tacas (moeda de Bangladesh) por pessoa, o que equivale a cerca de 120 dólares.

Sem ter o que comer ou beber, Sidiq e outros sete homens decidiram construir um bote. “Decidimos sair à noite porque a maré estava alta e, assim, poderíamos chegar a Bangladesh mais rápido, evitando o sol do dia”, explicou Sidiq.

O refugiado conseguiu aportar com sua esposa e seus cinco filhos na costa do país vizinho. O barco precário levou 34 pessoas — mais da metade era de crianças. Remando com placas atadas às varas de bambu, o grupo levou quatro horas para cruzar o rio de três quilômetros até chegar a Bangladesh. Todos entraram em colapso na costa, devido à fadiga e à fome, e foram encontrados dormindo na praia.

O ACNUR está recebendo doações para ajudar aos refugiados rohingya pelo link: https://goo.gl/GyvGah.


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