ACNUR e parceiros promovem atividades em SP e Rio sobre prevenção à violência de gênero

No contexto da campanha dos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, mobilização global liderada pelas Nações Unidas anualmente entre 25 de novembro e 10 de dezembro, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e parceiros promoveram debates e capacitações em prevenção à violência de gênero.

Oficinas ocorreram nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para as equipes de trabalho e a população refugiada e migrante, com o intuito de assegurar os direitos e a participação de mulheres cis, trans e travestis nos espaços onde circulam.

Iniciativa também promoveu atividades culturais, em que mulheres refugiadas e migrantes puderam se expressar artisticamente, compartilhar histórias e superar traumas relacionados à violência de gênero. No Rio, resultado do trabalho poderá ser conferido no Sesc Madureira, a partir do dia 21 de dezembro.

No Rio de Janeiro, oficinas com trabalhos manuais e rodas de conversas propiciaram a construção de vínculos entre mulheres que vivenciaram relacionamentos abusivos. Foto: CARJ/Luiza Trindade.

No Rio de Janeiro, oficinas com trabalhos manuais e rodas de conversas propiciaram a construção de vínculos entre mulheres que vivenciaram relacionamentos abusivos. Foto: CARJ/Luiza Trindade.

No marco dos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros  realizaram em São Paulo e no Rio de Janeiro capacitações internas com suas equipes e debates abertos aos movimentos sociais nas capitais, com a participação da população refugiada.

Atividades em São Paulo

Na capital paulista, em parceria com o Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP), foi realizada uma formação com os funcionários da organização sobre o atendimento a pessoas transexuais e travestis para “incorporar o olhar sensível à população LGBTI que está chegando à cidade e transmitir informações sobre serviços e oportunidades específicas a essas pessoas”, informou Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do ACNUR em São Paulo.

De acordo com o registro dos atendimentos realizados pela Caritas São Paulo, houve um aumento dos serviços prestados à população LGBTI refugiada neste ano. O desafio posto às organizações e espaços de atendimento que lidam com este público foi o de contemplar, no diálogo inicial e no acompanhamento dos casos, as necessidades específicas de pessoas LGBTI para ampliar suas possibilidades de integração na cidade.

Ação integrada entre o ACNUR, Cáritas São Paulo e entidades atuantes para a promoção e defesa da causa LGBTI atuaram conjuntamente em uma série de ações implementadas em São Paulo. Foto: Jerônimo Strehl.

Ação integrada entre o ACNUR, Cáritas São Paulo e entidades atuantes para a promoção e defesa da causa LGBTI atuaram conjuntamente em uma série de ações implementadas em São Paulo. Foto: Jerônimo Strehl.

A formação orientou sobre encaminhamentos específicos para a população LGBTI na área da saúde (como atendimentos para o processo de hormonização) e em casos de violência, contando com a participação de duas travestis brasileiras para assegurar o espaço de fala de quem efetivamente vivencia as dificuldades no cotidiano, de diversas maneiras.

Abigail Santos, coordenadora do Programa Transcidadania da Prefeitura de São Paulo, compartilhou sua trajetória. “Somos expulsas de casa por conta da identidade de gênero. Também tive que abandonar a escola e só depois consegui retomar os meus estudos”, relatou.

Valéria Rodrigues é outro exemplo de evasão escolar na adolescência devido à identidade de gênero, dentre outros desafios enfrentados na infância e vida adulta. Atualmente, Valéria trabalha no Instituto Nice, que atua no apoio à mulheres transexuais e travestis resgatadas de contexto de exploração sexual, com ênfase em abrigamento e inserção no mercado de trabalho.

O ACNUR implementou, também com a participação da Valéria, capacitação similar com as equipes de outras organizações parceiras em São Paulo, como a Aldeias Infantis, que têm apoiado mulheres trans e travestis venezuelanas, e o Centro de Acolhida Especial para Mulheres Imigrantes (CAEMI), onde uma roda de conversa aconteceu com a participação de pessoas LGBTI e refugiadas.

Outra capacitação sobre violência sexual e baseada em gênero foi realizada pelo ACNUR e CASP no abrigo Pari, com a participação de mulheres migrantes e refugiadas de sete diferentes nacionalidades.

Atividades no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES) da Cáritas RJ realizou uma série de oficinas e de rodas de conversa com 13 venezuelanas abrigadas na Casa de Acolhida Papa Francisco, administrada pela instituição em parceria com o ACNUR.

Nas rodas, mediadas pela consultora de gênero e novas masculinidades Gabriela Azevedo de Aguiar, foram compartilhadas histórias de mulheres que optaram pela interiorização de Roraima para o Rio de Janeiro para escapar de relacionamentos abusivos.

Nas atividades práticas, além das oficinas de automaquiagem, dança e confecção de biojoias e sabonetes artesanais oferecidas pelo Sesc Rio, as venezuelanas puderam se expressar artisticamente a partir de uma proposta de reconstrução e reflexão sobre cenas do seu passado.

O resultado do trabalho, que foi comandado pela artista plástica Marina Lattuca, ficará em exposição no Sesc Madureira a partir do dia 21 de dezembro. A mostra inclui trabalhos individuais, um painel coletivo, registros fotográficos e um filme.

Sobre a campanha

Os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma campanha anual e internacional que começa no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Ests mobilização global estabelece uma relação simbólica entre direitos humanos e a violência de gênero, tendo sido criada em 1991 pelo pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (Center for Women’s Global Leadership – CWGL).

Desde 1999, o ACNUR tem empreendido esforços para incluir perspectivas de gênero em todos os seus programas e projetos, desenvolvendo atividades e treinamentos regulares para suas equipes e de seus parceiros.

As ações dos 16 Dias apoiadas e realizadas pelo ACNUR integram esforços relacionados à implementação do projeto de construção de Rede Regional de Espaços Seguros para sobreviventes de violência sexual e baseada em gênero, iniciativa que terá seguimento ao longo do ano de 2020.