ACNUR e IFC promovem encontro com instituições de microcrédito em São Paulo

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio da International Finance Corporation (IFC), organismo do Grupo Banco Mundial, realizaram em São Paulo, nos dias 11 e 12 de junho, um workshop de inclusão financeira voltado para facilitar o acesso ao microcrédito por parte das pessoas refugiadas que vivem no Brasil.

De acordo com uma recente pesquisa publicada pelo ACNUR sobre o perfil socioeconômico da população refugiada no país, verificou-se que os refugiados têm capacidade escolar acima da média brasileira e mais de 79% dos entrevistados afirmaram ter disposição para empreender, sendo que 22% já realizam atividades empresariais.

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio da International Finance Corporation (IFC), organismo do Grupo Banco Mundial, realizaram em São Paulo, nos dias 11 e 12 de junho, um workshop de inclusão financeira voltado para facilitar o acesso ao microcrédito por parte das pessoas refugiadas que vivem no Brasil.

De acordo com uma recente pesquisa publicada pelo ACNUR sobre o perfil socioeconômico da população refugiada no país, verificou-se que os refugiados têm capacidade escolar acima da média brasileira e mais de 79% dos entrevistados afirmaram ter disposição para empreender, sendo que 22% já realizam atividades empresariais.

“Considerando que grande parte da população refugiada tem ampla e diversificada experiência profissional, qualificação educacional e interesse em empreender no país, a realização deste workshop evidenciou a necessidade de instituições financeiras atentarem ao potencial para investimentos por refugiados que querem abrir ou ampliar seus próprios negócios no país”, disse Paulo Sérgio de Almeida, oficial de meios de vida do ACNUR Brasil.

O workshop contou com a presença da especialista internacional em inclusão financeira do ACNUR Micol Pistelli, e foi fundamental para que tanto as instituições provedoras de financiamento, como as pessoas refugiadas que dependem desse capital para investir, pudessem dialogar e encontrar possíveis oportunidades para estabelecerem relações em que ambos lados possam se beneficiar – o que contribuiria também para a economia local.

“O segmento de empresários refugiados não apenas contribui para a economia local das comunidades anfitriãs, mas também representa uma excelente oportunidade de mercado para as instituições financeiras”, disse Ricardo Tafur, especialista em microfinanças da IFC. “A experiência em outras regiões nos mostra que as entidades financeiras que já prestam serviços a populações de baixa renda podem adaptar e expandir seus serviços às populações em situação de refúgio, que geralmente têm necessidades financeiras semelhantes às dos clientes locais”.

O evento contou com a apresentação de casos de empreendedorismo por parte dos refugiados. A síria Joanna Ibrahim, idealizadora da plataforma Bab Sharki apresentou a startup que tem como objetivo fomentar empresas compartilhadas, criando oportunidades para os refugiados e migrantes que queiram colaborar coletivamente em diferentes setores e mercados. Como derivado dessa proposta, o projeto Open Taste criou um canal de vendas de pratos do mundo todo, ofertados em rodízio de nacionalidades e sabores a cada sexta-feira, em um mesmo local.

“Durante a guerra da Síria, tive que recomeçar a vida fora do país e embora tenha trabalhado no mundo corporativo, queria mesmo empreender. Quando cheguei ao Brasil, tive muitas dificuldades com o idioma e hoje atuo para que outras pessoas refugiadas tenham a oportunidade de gerar renda com risco reduzido no Brasil”, disse a jovem síria.

Outro refugiado que apresentou seu projeto foi Carlos Escalona, venezuelano de 35 anos. Jornalista de formação, fundou a empresa de catering orgânico Nossa Janela, junto com sua companheira Marifer Vargas, professora de História.

“Nossa proposta de catering para eventos corporativos tem como foco a releitura de pratos venezuelanos com um toque brasileiro. Almejamos ampliar nosso negócio para fornecer café da manhã para hotéis e vamos alugar uma cozinha profissional para atender a demanda, que não para de crescer”, disse Carlos, orgulhoso por empreender em um campo em que se sente confiante.

Ao término do evento, o grupo participante almoçou no restaurante vegano Congolinária, no bairro Sumaré. Criado pelo refugiado congolês Pitchou Luambo, o restaurante serve comida típica da República Democrática do Congo e é também um espaço para conscientizar sobre refúgio e veganismo, além de apresentar a cultura africana.

Como conclusão do evento, membros das instituições financeiras participantes ressaltaram a necessidade de estarem mais presentes na vida dos refugiados que queiram contrair créditos para empreender. Como barreiras existentes, a falta de acesso à informação segura e de fonte confiável, a distância do conhecimento entre ambas partes da cadeia (instituições financeiras e refugiados) e a necessidade de transformar o crédito de curto prazo em longo se destacaram.

No entanto, o caminho para a superação dessas barreiras já está sendo construído pelo mútuo entendimento de que um novo olhar para o tema se faz necessário – e agregará novas perspectivas de desenvolvimento de longo prazo.