ACNUR distribui ajuda em meio a agravamento das condições no leste da Ucrânia

Uma família de ucranianos retorna ao leste da Ucrânia, após terem recebido ajuda do ACNUR. Foto: A.McConnell

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) informou esta semana que está “extremamente preocupada” com o agravamento da situação humanitária no leste da Ucrânia, em particular nas áreas controladas por forças contrárias ao governo.

O porta-voz do ACNUR, William Spindler, disse que a falta de acesso aos serviços públicos agravou o sofrimento da população civil na região leste. “Isto ficou pior com a restrição de circulação de pessoas e bens”, afirmou ele.

As condições no norte de Donetsk e em Luhansk estão particularmente precárias, com a interrupção do fornecimento de água e energia elétrica decorrentes de bombardeios e ataques com foguetes. Os relatos de mortes de civis em virtude dos bombardeios continuam, especialmente em torno da cidade de Debaltseve, que foi palco de intensos combates em janeiro e fevereiro.

“As condições de vida, especialmente para quem mora em escombros de casas ou abrigos improvisados, ficaram mais difíceis com o inverno e as temperaturas muito baixas”, acrescentou.

A liberdade de circulação é um problema, com os civis frequentemente sitiados nas zonas de conflito. A falta de acesso a transportes, insegurança nas rotas de saída e as barreiras administrativas estão impedindo os civis de chegar a locais seguros. De acordo com funcionários do ACNUR, muitas pessoas estão se sentindo abandonadas.

As autoridades ucranianas já retiraram de Donetsk e Luhansk mais de 11 mil pessoas, incluindo mais de 2.240 crianças e quase 350 pessoas com necessidades especiais”, mas a assistência aos deslocados continua aquém da demanda, especialmente no fornecimento de abrigo, transporte, informação e manutenção da unidade familiar”, explicou o porta-voz.

Apesar dos riscos e falta de segurança, o ACNUR e seus parceiros disponibilizaram ajuda de emergência e auxílio alimentar a alguns dos civis mais necessitados, inclusive em áreas que estavam sob bombardeio frequente. Pela primeira vez, o ACNUR conseguiu distribuir ajuda em áreas em Luhansk-Novopskov e Markivka. Segundo as autoridades locais, cerca de 30% da população deslocada nestas localidades receberam assistência.