ACNUR: crise humanitária no Iêmen está ‘além de qualquer catástrofe já vista’

Zahrah, uma viúva e mãe de oito filhos deslocadas pela guerra, senta em um abrigo improvisado em Sanaa, no Iêmen. Foto: ACNUR/Mohammed Hamoud

“A crise está além de qualquer catástrofe humanitária já vista”. É dessa maneira que o representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Ayman Gharaibeh, descreveu na última sexta-feira (17) a conjuntura no Iêmen, onde 14,1 milhões de pessoas passam fome e 3,1 milhões de iemenitas são considerados deslocados internos.

Apesar da gravidade da conjuntura, o organismo das Nações Unidas recebeu apenas 1% dos 99,6 milhões de dólares solicitados a doadores internacionais para socorrer a população em 2017. Ou seja, o ACNUR começou o ano com apenas 600 mil dólares na conta bancária, lamentou Gharaibeh. Em 2016, a agência gastou 76 milhões de dólares para atender as emergências de deslocamento forçado.

“Estamos no começo do ano, em meados de fevereiro, e é importante que tenhamos contribuições de forma oportuna, por etapas, em um ritmo que nos permita planejar… de forma que o mesmo nível de assistência seja oferecido ao longo do ano”, disse o representante em coletiva de imprensa em Genebra, no Palácio das Nações.

Com 27 milhões de habitantes, o Iêmen testemunhou em março de 2015 o início de um conflito que deixaria dois terços da população — ou cerca de 18 milhões de pessoas — precisando de ajuda externa para sobreviver. Faltam comida, água e abrigo para os que deixaram suas casas e buscam segurança em outras partes do país.

Sem recursos,
não somos úteis
no Iêmen.

Com reduções no financiamento, a situação humanitária deve se agravar. “Sem recursos, não somos úteis no Iêmen”, acrescentou Gharaibeh. O funcionário da ONU alertou que “teremos mais e mais pessoas definhando nas ruas” e disse também que um Iêmen instável equivale a uma região instável.

“Há fome, há muita gente morrendo por falta de cuidados médicos e outras que não estão indo às aulas simplesmente porque as escolas estão sendo usadas como abrigos para pessoas deslocadas”, explicou o representante do ACNUR.

Citando das consequências da falta de recursos, Gharaibeh informou que a agência não poderia manter a ajuda financeira oferecida a aproximadamente 2 mil viúvas. “Avaliações em termos de vulnerabilidade têm sido feitas, mas como não estão sendo combinadas com o financiamento, isso prejudica a nossa reputação e a credibilidade da resposta”, completou.

É possível fazer doações para as iniciativas de assistência humanitária do ACNUR no Iêmen. Saiba como clicando aqui.

(Na imagem de capa do primeiro vídeo: chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien, em visita a Áden, no Iêmen. Crédito da foto: OCHA Iêmen; Na imagem de capa do segundo vídeo: a menina Firial, 8 anos, ajuda seu pai Ali a carregar os artigos de ajuda durante uma distribuição do ACNUR na escola Al Hagri, distrito de Al Mudafar, Taiz, no Iêmen. Foto: ACNUR/Mohammed Al Hasani)