ACNUR e Conselho de Segurança da ONU condenam ataques do Boko Haram no Chade e em Camarões

Atentados suicidas deixaram 47 mortos e dezenas de feridos em Baga Sola, no Chade. Ataques acontecem num momento crítico para o país, que recebe mais de 438 mil refugiados do Sudão, Nigéria, República Centro-Africana e Níger.

Pessoas internamente deslocadas encontram refúgio em Baga Sola, no Chade, após Boko Haram ter atacado sua cidade. Foto: OCHA / Mayanne Munan

Pessoas internamente deslocadas encontram refúgio em Baga Sola, no Chade, após Boko Haram ter atacado sua cidade. Foto: OCHA / Mayanne Munan

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) criticou, nesta terça-feira (13), os violentos ataques suicidas que aconteceram durante o final de semana em Baga Sola, no Chade. Na véspera (12), o Conselho de Segurança da ONU emitiu uma nota também condenando os atentados terroristas na cidade chadiana e em Kangaleri, no norte de Camarões. Os episódios em ambos os países foram atribuídos ao grupo Boko Haram.

Segundo informações coletadas pela agência da ONU, os ataques, que envolveram três mulheres e duas crianças-bomba, atingiram um mercado e um centro para pessoas internamente deslocadas na tarde de sábado (10), nos arredores de Baga Sola. O atentado, que foi o primeiro do tipo registrado na cidade, provocou a morte de 47 pessoas e deixou dezenas feridas. No domingo (11), em Kangaleri, outros ataques suicidas deixaram nove mortos.

O ACNUR presta assistência ao campo de refugiados de Dar Es Salam, a dez quilômetros de Baga Sola. “Toda a nossa equipe na área e os 7.139 refugiados da Nigéria e do Níger no campo estão seguros, mas nós suspendemos viagens para a região do Lago Chade e no seu interior. Voos da ONU aguardam para evacuar pessoas ou trazer suprimentos de emergência”, afirmou o porta-voz do Alto Comissariado, Leo Dobbs.

Em declaração, o Conselho de Segurança da ONU descreveu os ataques em Camarões e no Chade como “atos hediondos”. O órgão reafirmou que o terrorismo, em todas as suas formas e manifestações, constitui uma das mais sérias ameaças à paz e à segurança internacionais, e que quaisquer atos terroristas são criminosos e injustificáveis não importando sua motivação, quaisquer que sejam seu lugar e ocasião e quem quer que os tenha cometido.

Os atentados aconteceram num momento crítico para o Chade, que abriga, atualmente, mais de 438 mil refugiados, incluindo 350 mil sudaneses, 90 mil da República Centro-Africana e cerca de 13 mil nigerianos. Nas últimas semanas, o ACNUR já ofereceu assistência humanitária para mais de 60 mil pessoas deslocadas na área do Lago. A agência também tem auxiliado o governo do país no transporte de alimentos para a região.