ACNUR aumenta assistência humanitária para vítimas do conflito no leste da Ucrânia

Desde o final de janeiro, uma nova onda de violência no leste da Ucrânia levou à destruição de 150 casas e 30 apartamentos na cidade de Avdiivka, localizada em região controlada pelo governo do país. Em Donetsk, sob o domínio de outras autoridades, mais de 20 aldeias estavam sem eletricidade no início de fevereiro. Em meio a temperaturas que poderiam chegar aos -20ºC, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem distribuído suprimentos, roupas, cobertores e materiais de abrigo.

Na cidade ucraniana de Avdiivka, Alexander, de 80 anos, limpa seu apartamento que foi atingido por bombardeios. Foto: ACNUR/Evgeny Maloletka

Na cidade ucraniana de Avdiivka, Alexander, de 80 anos, limpa seu apartamento que foi atingido por bombardeios. Foto: ACNUR/Evgeny Maloletka

Com o recrudescimento do conflito no leste da Ucrânia, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) informou na semana passada (7) que ampliou a prestação de assistência humanitária à população civil. Objetivo é socorrer e proteger inocentes em meio à recente onda de violência que deixou 150 casas e 30 apartamentos avariados na cidade de Avdiivka. Residências foram atingidas por bombardeios e também pelos confrontos diretos entre tropas.

Ao final de janeiro, o organismo internacional havia entregado 40 toneladas de itens de emergência e materiais para abrigo para 2 mil pessoas vivendo no município. A operação era parte de uma iniciativa liderada pelo próprio governo. Suprimentos incluíam cobertores, conjuntos de toalha e roupa de cama, baldes, vestimentos para o inverno e recipientes para líquidos.

Nesta semana, 20 famílias perderam suas casas por causa de bombardeios na noite da última segunda-feira (13). Cerca de 300 pessoas, incluindo 135 crianças, foram voluntariamente evacuadas de Avdiivka nos primeiros dias de fevereiro. Segundo o ACNUR, combates e danos à infraestrutura básica podem provocar novos deslocamentos entre as mais de 800 mil pessoas que ainda residem na zona de conflito.

Embora a eletricidade, a água e o aquecimento já tenham sido reestabelecidos na maior parte da cidade, as pessoas que vivem em casas perto da linha do confronto ainda estão sem serviços.

Segundo organizações humanitárias parceiras, cerca de 40 crianças desacompanhadas chegaram à cidade vizinha de Slovyansk, algumas sem documentação. O ACNUR está trabalhando com as autoridades locais para fornecer assistência jurídica e abrigo aos jovens.

O conflito também está afetando gravemente os civis que vivem em Mariupol e nos arredores, no sudeste da Ucrânia. Durante o fim de semana, a cidade, que acolhe meio milhão de pessoas, ficou sem eletricidade durante várias horas. Em aldeias próximas, 70 casas foram danificadas.

Em nota, o ACNUR elogia o papel mais ativo que o governo da Ucrânia está começando a desempenhar na coordenação da assistência humanitária, tanto a nível regional, como central.

Zonas não controladas pelo governo

Segundo a agência da ONU, a luta também está afetando áreas não controladas pelo governo. Comunidades que vivem ao longo da linha do conflito, perto da cidade de Donetsk, são particularmente afetadas, com mais de 20 aldeias ainda sem eletricidade por conta dos novos confrontos. Ao longo das semanas iniciais de fevereiro, a expectativa era de que as temperaturas chegassem aos -20ºC.

De acordo com as autoridades que detêm o controle da região de Donetsk, cerca de 500 pessoas foram deslocadas desde a eclosão dos combates ao final de janeiro. Atualmente, a maioria está abrigada em centros coletivos.

Em Donetsk, o ACNUR distribuiu lonas e artigos básicos de socorro aos mais vulneráveis e aos alojados nesses locais. Cerca de 2 mil famílias em situação de risco também receberam carvão, como parte do programa de assistência para o inverno em áreas não controladas pelo governo.

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