ACNUR alerta para ponto crítico da assistência humanitária a refugiados sudaneses

O Alto Comissário alertou para a situação crítica da assistência humanitária aos refugiados que deixam os estados de Kordofan do Sul e Nilo Azul, no Sudão.

Refugiados coletam água em ponto de distribuição no Sudão do Sul. (ACNUR/ V.Tan)

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, alertou na quarta-feira (4) para a situação crítica da assistência humanitária aos refugiados que deixam os estados de Kordofan do Sul e Nilo Azul, no Sudão. Segundo Guterres, com mais de 200 mil sudaneses refugiados em países vizinhos, como Etiópia e Sudão do Sul, as operações no Sudão do Sul estão perto do ponto de ruptura.

“A combinação entre as difíceis condições no Sudão do Sul e o grande número de refugiados chegando ao país pressiona enormemente as operações”, disse Guterres. “Todos os dias há recém-chegados, incluindo crianças desacompanhadas. Muitas das pessoas estão desnutridas.”

Até o momento, os escritórios da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) na Etiópia e no Sudão do Sul já registraram a entrada de quase 212 mil pessoas dos estados Nilo Azul e Kordofan do Sul, no Sudão. Mais de 36 mil refugiados estão vivendo na região de Assosa, na Etiópia.

O Sudão do Sul é o país mais afetado pelo grande fluxo de refugiados sudaneses. O país abriga em torno de 62 mil pessoas no estado Unity e 113 mil em Alto Nilo – principalmente em áreas remotas, onde não existe infraestrutura.

Crianças e adolescentes de até 18 anos representam 52% da população refugiada em Assosa (Etiópia), 44% em Alto Nilo e 65% em Unity, ambos no Sudão do Sul.

No Sudão do Sul, a escassez de água para atender a população refugiada é particularmente preocupante, mesmo com o início recente do período chuvoso. Uma grande parte do campo de Jammam, em Alto Nilo, por exemplo, está alagado, com o nível da água chegando ao tornozelo. Porém, o reservatório de água potável para distribuição e para as instalações sanitárias está abaixo do necessário. Poços foram cavados no local e em outros campos, mas muitos refugiados estão recebendo apenas um terço – ou ainda menos – do mínimo necessário para suas necessidades diárias. Um risco para a saúde.

“O Sudão vive uma crise complexa”, disse Guterres. “Estamos diante de uma situação em que muitos refugiados chegam em estado preocupante de desnutrição, é alta a ameaça de doenças transmitidas pela água, grandes populações de refugiados estão em locais claramente perigosos e as estradas inundadas dificultam a transferência deles para lugares mais seguros. Precisamos urgentemente de mais ajuda.

O ACNUR fez um apelo aos governos doadores e ao público geral por recursos adicionais para superar a crise dos refugiados sudaneses. Em 22 de junho, a agência anunciou que as contribuições recebidas para o Sudão do Sul estavam quase esgotadas e que eram necessários 219 milhões de dólares para ajudar os sudaneses na Etiópia e no Sudão do Sul apenas este ano. Até o momento, a agência recebeu quase 46 milhões de dólares.