ACNUR alerta para fuga de sudaneses em busca de relativa segurança no Sudão do Sul

O Sudão do Sul abriga quase 200 mil refugiados. O ACNUR já recebeu 71 milhões de dólares e precisa urgentemente de outros 20 milhões de dólares para garantir a assistência das pessoas que estão para chegar.

Amuna e sua família no centro de registro do campo de refugiados de Yida, no Sudão do Sul. (ACNUR)Com o conflito cada vez mais próximo de sua vila, Amuna enfrentou o terrível dilema de escolher que filhos levar na tentativa de sobreviver. Era uma questão de tempo até que os Antonovs começassem a bombardear Timodongo, no estado de Kordofan do Sul, no Sudão. Se não saísse rápido, a família toda poderia morrer.

“Tínhamos de ir para [o campo de refugiado] Yida ”, disse Amuna ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Seus dois filhos mais novos, Ali Amou, 5 anos, e Kadimala, 3 anos, não aguentariam viajar a pé até Yida. E ela não poderia carregá-los e cuidar dos mais velhos ao mesmo tempo. Então, Amuna optou por deixar o menino Ali Amou com uma irmã dela, que ficou na vila.

O sofrimento dela é compartilhado por outras pessoas que também se viram obrigadas a deixar familiares para trás enquanto tentavam se salvar dos ataques nas cidades ao longo das montanhas de Nuba, no Kordofan do Sul. Em 13 meses, 63 mil pessoas buscaram refúgio em Yida – cidade cercada de pântanos numa das regiões mais inóspitas do Sudão do Sul – tentando sobreviver à violência e à fome em Kordofan do Sul.

“Há pouco tempo os refugiados chegavam desnutridos por causa da falta de alimentos provocada ao longo de um ano de conflito”, afirmou Alessandro Telo, funcionário de registro do ACNUR. “Hoje chegam apenas com a roupa do corpo, relatando intensos bombardeios e insegurança”. O campo de refugiados de Yida recebe cerca de 100 pessoas por dia e este número poderá aumentar em breve com o fim da temporada de chuvas.

No entanto, Yida está perigosamente próxima da fronteira com o Sudão e sofreu um bombardeio aéreo no ano passado. Por causa do atual isolamento do campo, tanto trabalhadores humanitários quanto o material para assistência estão chegando por via aérea. E a entrada em massa de pessoas aumentará os desafios logísticos de uma operação já tensa.

O Sudão do Sul abriga quase 200 mil refugiados.

O ACNUR já recebeu 71 milhões de dólares e precisa urgentemente de outros 20 milhões de dólares para garantir a assistência das pessoas que estão para chegar.