ACNUR ajuda refugiados no Equador a reconstruir suas vidas após terremoto

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No Equador, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) ajuda estrangeiros que buscaram asilo no país com um programa de transferência de renda que visa à erradicação da extrema pobreza. Iniciativa tem dado assistência aos estrangeiros afetados pelos tremores de terra registrados em abril e maio desse ano. Terremoto mais intenso deixou 800 mil pessoas, das quais 400 são refugiadas e solicitantes de refúgio, em situação de vulnerabilidade.

O Modelo de Graduação, desenvolvido pelo ACNUR e parceiros, apoia famílias como a de Maria (à direita) a sair da extrema pobreza. Foto: ACNUR / S.Aguilar

O Modelo de Graduação, desenvolvido pelo ACNUR e parceiros, apoia famílias como a de Maria (à direita) a sair da extrema pobreza. Foto: ACNUR / S.Aguilar

No cidade costeira de Esmeraldas, no Equador, o relevo permite aos moradores vislumbrar de um ponto de vista privilegiado o encontro do Pacífico com o continente. Um dos bairros localizados no alto dos morros do município, La Colectiva é o lar de Maria, uma refugiada colombiana que teve de deixar seu país de origem em 2012. Ela decidiu construir sua casa em uma das colinas da vizinhança, mas a estrutura não resistiu ao solavanco da natureza.

“Ainda que nos dissessem que era uma zona de risco, todo mundo construía nessa área do bairro. Um vizinho nos ofereceu um pedaço de terra, e meu marido e eu construímos ali”, conta a colombiana. A residência foi feita de madeira.

Para Maria, mesmo vivendo em condições precárias na área montanhosa, onde serviços básicos são escassos, a casa própria era um sonho importante. A moradia, porém, foi destruída pelos tremores de terra que atingiram a costa ocidental do Equador em abril deste ano.

A refugiada lembra que, no dia 16 daquele mês, quando um abalo sísmico de 7,8 graus sacudiu o país, “eu estava no parque trabalhando, vendendo sucos”. “Quando começou, corri e abracei uma desconhecida. Chorava pensando no meu sobrinho que me esperava sozinho em casa e no meu marido, que eu não sabia onde estava.”

Maria estava entra as 800 mil pessoas — das quais 400 são refugiadas e solicitantes de refúgio no Equador — que sofreu as consequências do terremoto. O tremor deixou cerca de 700 mortos nas províncias de Esmeraldas e Manabí. Abalos posteriores, com magnitude de 6,5, viriam agravar o cenário de devastação e vulnerabilidade deixado pelo primeiro fenômeno.

“Minha casa resistiu ao primeiro terremoto de abril, mas os tremores de maio a deixaram muito avariada. Por isso, fomos para o abrigo, onde vivemos por cinco meses”, relata. A refugiada diz ainda que “conviver com pessoas que não conhecemos nos ensina muito”. “Não é fácil, mas aprendemos a valorizar o que temos e a nos esforçarmos ainda mais.”

Depois de quase cinco meses vivendo em um abrigo estabelecido pelas autoridades equatorianas para acolher milhares de pessoas que perderam seus lares devido à catástrofe, Maria e sua família agora podem alugar uma casa. Ela e os parentes fazem parte de um programa do governo que concede benefícios para custear o aluguel de residências por seis meses.

Maria também recebe ajuda da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de organizações não governamentais. A refugiada participa do Modelo de Graduação, um programa de assistência financiado pelo Departamento de Ajuda Humanitária e Proteção Civil da Comissão Europeia (ECHO) e concebido para retirar pessoas da extrema pobreza.

O objetivo é garantir que regiões afetadas pela miséria alcancem a autonomia econômica. A família de Maria é uma das 1,5 mil beneficiadas pela iniciativa, que oferece acompanhamento, transferências em dinheiro para apoiar o consumo básico e orientações sobre economia e acesso ao mercado de trabalho.

Segundo a representante do ACNUR no Equador, María Clara Martín, “o terremoto teve um enorme impacto humanitário, afetando milhares de pessoas, entre elas alguns refugiados”.

“Apesar da catástrofe, (o episódio) representou uma oportunidade para melhorar as condições de vida na região. Neste sentido, o ACNUR, graças ao suporte do ECHO, tem apoiado os esforços para a reconstrução, e esperamos poder oferecer segurança de forma sustentável para toda a população, incluindo as pessoas refugiadas”, explica a dirigente.

A agência da ONU, tem atuado em parceria também com os Ministérios de Coordenação de Desenvolvimento Social e Inclusão Econômica e Social do Equador.

Vivendo em sua moradia alugada, agora construída com tijolos e não mais madeira, Maria aguarda o dia em que poderá erguer sua própria casa. E, quem sabe, eventualmente estudar e se tornar enfermeira. Apesar do medo de novos terremotos, ela sente que o futuro é promissor — e que o Equador é mais seguro do que a região onde morava na Colômbia.

“Em Tumaco, testemunhávamos pessoas sendo mortas por toda a parte. E não podíamos dizer nada, não podíamos sequer manter nossas portas abertas”, lamenta. “Aqui me sinto tranquila. E, ainda que as ameaças sejam grandes devido aos contínuos tremores, eu agradeço, pois ainda sigo viva. Eu tenho planos para o futuro.”


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