ACNUR ajuda jovem mãe na Geórgia a pôr fim a ciclo de apatridia familiar

Após quase 20 anos vivendo sem ter uma pátria, jovem consegue, com ajuda do ACNUR, nacionalidade georgiana para ela, sua mãe e seu filho.

Olga Khutsishvili, de 19 anos, mostra sua identidade da Geórgia orgulhosamente enquanto segura o filho Zaza. Com a ajuda do ACNUR ela conseguiu uma certidão de nascimento para ela e seu bebê. Foto: ACNUR/ N.Kajaia

Olga Khutsishvili, de 19 anos, mostra sua identidade da Geórgia orgulhosamente enquanto segura o filho Zaza. Com a ajuda do ACNUR ela conseguiu uma certidão de nascimento para ela e seu bebê. Foto: ACNUR/ N.Kajaia

Olga Khutsishvili viveu quase 20 anos sem ter uma pátria. Seus pais não puderam ter seu casamento oficializado porque, apesar do pai ser cidadão da Geórgia, sua mãe de origem russa havia perdido seus documentos. Quando Olga nasceu, não pôde ter uma certidão de nascimento, o que provaria sua nacionalidade. Assim, ela passou anos sem acesso a muitos de seus direitos.

Hoje, depois de uma reviravolta possível graças ao apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), ela adquiriu a nacionalidade georgiana e está engajada em uma campanha de conscientização para ajudar outras 2 mil pessoas na Geórgia em risco de apatridia. “Eu não sou mais apátrida, posso ir ao médico, levar meu bebê e desfrutar dos mesmos direitos que qualquer outro cidadão do país”, afirmou.

Olga lembra de como foi dolorosamente tomando consciência da importância de ter documentos para poder levar uma vida normal, acessando os direitos que a maioria das pessoas têm garantidos. Na primeira cidade em que sua família viveu, ela não podia ir à escola ou ao médico. “Eu não sabia ler nem escrever, e todos riam de mim. Não consigo pensar nesses anos sem chorar”.

Em meados de 2013, Olga passou pela mesma situação que os pais. Ela tinha marido, mas nenhuma certidão de casamento. Quando seu bebê Zaza nasceu, não pode registrá-lo por falta de documentos. Era um novo ciclo de sofrimento que se repetia.

No entanto, uma equipe do ACNUR, em Dzegvi, e seu parceiro local, o Centro de Inovação e Reforma, a orientaram a organizar junto ao Registro Público a documentação comprovando que ela vivia na Geórgia há mais de cinco anos, o que a habilitava a requerer a cidadania. Em julho de 2013 Olga tornou-se cidadã da Geórgia e, em janeiro deste ano, finalmente conseguiu uma certidão de nascimento e carteira de identidade. Sua mãe e seu filho também obtiveram a cidadania. “Isto significa muito para mim”, disse. “Agora meu filho poderá ter educação, e estou feliz de ele não precisar enfrentar as mesmas dificuldades que eu.”