ACNUR afirma preocupação com restrições de movimento a iraquianos em campos de deslocados

Liberdade de movimentação de deslocados internos no Iraque pode estar prejudicando o acesso a outros direitos, como trabalho, alimentação, saúde e assistência jurídica, disse a Agência da ONU para Refugiados. Mais de 3,3 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e estão deslocadas dentro do Iraque em pouco mais de dois anos.

Famílias deslocadas em Kirkuk, no Iraque, tratam da burocracia antes de receber kits de assistência humanitária fornecidos pelo UNICEF e por um consórcio liderado pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA). Foto: UNICEF / Lindsay Mackenzie

Famílias deslocadas em Kirkuk, no Iraque, tratam da burocracia antes de receber kits de assistência humanitária fornecidos pelo UNICEF e por um consórcio liderado pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA). Foto: UNICEF / Lindsay Mackenzie

Preocupada com a restrição dos direitos dos iraquianos deslocados que procuram abrigo em acampamentos, a agência de refugiados das Nações Unidas pediu na sexta-feira (11) ao governo que estabeleça procedimentos claros e instalações especiais para o rastreio de pessoas que estão separadas dos campos estabelecidos para fornecer abrigo e ajuda humanitária.

“Há uma tendência crescente de os recém deslocados iraquianos serem transferidos à força para campos onde as restrições à sua liberdade de movimentos estavam sendo impostas de forma desproporcional a qualquer preocupação legítima, incluindo as relacionados com a segurança”, disse a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Ariane Rummery, a jornalistas em Genebra.

A preocupação é que, como a liberdade de circulação é controlada, outros direitos podem estar sendo igualmente, como o acesso ao trabalho, alimentação, saúde e assistência jurídica, disse.

Na província de Kirkuk, desde 22 de fevereiro, os cerca de 2 mil moradores de Nazrawa foram confinadas ao campo, independentemente de terem ou não terem completado os procedimentos de triagem de segurança.

No norte do Iraque, deslocados enfrentam restrições à sua liberdade de movimento no distrito de Tilkaif, bem como nas províncias de Salah Al Din e Anbar.

Mais de 3,3 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e estão deslocadas dentro do Iraque desde janeiro de 2014, além de quase 1 milhão de iraquianos que haviam sido deslocados desde 2006, segundo os dados do ACNUR.

“Com a perspectiva de mais deslocamentos, em meio ao aumento das operações militares contra grupos extremistas, é cada vez mais urgente que as autoridades assegurem que os deslocados internos têm acesso a segurança em tempo hábil, e que os campos mantenham seu caráter humanitário”, disse Rummery.