ACNUR: 6 pessoas morreram por dia tentando atravessar o Mediterrâneo em 2018

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (30), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirma que 2.275 pessoas morreram ou desapareceram ao cruzar o Mar Mediterrâneo em 2018. Isso significa que, por dia, seis indivíduos perderam a vida no ano passado tentando chegar à Europa. Segundo o organismo da ONU, cortes nas operações de busca e salvamento reforçaram a posição da rota como a travessia marítima mais fatal do mundo.

Um bebê é resgatado pelo navio Sea Watch no Mediterrâneo. Foto: ACNUR/Hereward Holland

Um bebê é resgatado pelo navio Sea Watch no Mediterrâneo. Foto: ACNUR/Hereward Holland

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (30), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirma que 2.275 pessoas morreram ou desapareceram ao cruzar o Mar Mediterrâneo em 2018. Isso significa que, por dia, seis indivíduos perderam a vida no ano passado tentando chegar à Europa. Segundo o organismo da ONU, cortes nas operações de busca e salvamento reforçaram a posição da rota como a travessia marítima mais fatal do mundo.

Em 2018, 139,3 mil refugiados e migrantes chegaram ao continente europeu — o menor número em cinco anos.

“Salvar vidas no mar não é uma escolha nem uma questão de política, mas uma antiga obrigação”, afirmou o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, por ocasião do lançamento do relatório Desperate Journeys (Jornadas Desesperadas).

“Podemos colocar um fim nessas tragédias tendo coragem e visão para olhar além do próximo barco e adotar uma abordagem de longo prazo baseada na cooperação regional, que coloque a vida humana e a dignidade como o principal foco.”

O relatório descreve como mudanças políticas por parte de alguns Estados europeus resultaram em vários incidentes em que um grande número de pessoas ficaram retidas no mar por dias a fio, à espera de permissão para atracar. As embarcações de ONGs e suas tripulações enfrentaram crescentes restrições nas operações de busca e resgate.

Em rotas da Líbia para a Europa, uma pessoa morreu no mar a cada 14 indivíduos que conseguiram chegar à Europa – um aumento significativo na comparação com o índice em 2017, de uma morte para cada 38 chegadas. Outros milhares de deslocados foram devolvidos à Líbia, onde enfrentam condições terríveis em centros de detenção.

O ACNUR lembra que, para muitos refugiados e migrantes, colocar os pés na Europa foi a parada final de uma jornada de pesadelo, na qual enfrentaram tortura, estupro e agressão sexual, além da ameaça de serem sequestrados e mantidos em cativeiro por resgate. Segundo a agência da ONU, os países devem tomar medidas urgentes para desmantelar redes de contrabando e levar os autores desses crimes à justiça.

Apesar dos desafios, o organismo internacional vê motivos para se ter esperança. Mesmo com o impasse político para avançar numa abordagem regional de resgate no mar e desembarque, vários países se comprometeram a realocar pessoas socorridas no Mediterrâneo central – o que representa uma base potencial para uma solução previsível e duradoura. Milhares de locais de reassentamento também foram prometidos pelos Estados para a retirada de refugiados da Líbia.

Em junho de 2018, o ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) fizeram um apelo por uma abordagem conjunta dos países europeus nas operações de salvamento no Mediterrâneo, a fim de garantir o desembarque adequado de pessoas socorridas.

Mudança de rota

O relatório também revela mudanças significativas nas rotas sendo usadas pelos refugiados e migrantes que tentam chegar à Europa. Pela primeira vez nos últimos anos, a Espanha se tornou a principal porta de entrada para o continente, com cerca de 8 mil pessoas entrando no país por terra (por meio dos enclaves de Ceuta e Melilla) e outras 54,8 mil por mar. Como resultado dessa variação, o número de mortos na parte ocidental do Mediterrâneo quase quadruplicou: de 202 em 2017 para 777 em 2018.

Cerca de 23,4 mil refugiados e migrantes chegaram à Itália no ano passado, o que representa uma redução de cinco vezes em comparação com 2017. Já a Grécia recebeu um número similar de chegadas marítimas, cerca de 32,5 mil pessoas em comparação com 30 mil em 2017, mas registrou um aumento de quase três vezes na quantidade de pessoas que chegaram pela fronteira terrestre com a Turquia.

A Bósnia e Herzegovina notificaram em torno de 24 mil chegadas, em meio ao deslocamento de refugiados e migrantes pelos Bálcãs Ocidentais. O Chipre recebeu vários barcos transportando refugiados sírios do Líbano, enquanto o Reino Unido testemunhou um pequeno número de travessias da França no final do ano.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui (em inglês). Acesse a versão em espanhol clicando aqui.


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